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Colômbia: Espriella anuncia fim de diálogos com guerrilhas – 14/07/2026 – Mundo

O candidato ultradireitista eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, disse na segunda-feira (13) que, entre outras medidas, eliminará o Conselho Presidencial de Paz. A medida ocorre depois que a política de diálogo do governo em fim de mandato fracassou em desarmar os poderosos grupos armados.

Como prometido em sua campanha, Espriella sinalizou que suspenderá qualquer diálogo em andamento entre as guerrilhas ilegais e a administração do presidente Gustavo Petro, o primeiro líder de esquerda eleito na história colombiana.

“O comissariado para a paz será extinto porque não haverá mais processos de falsa paz no meu governo”, disse Espriella nas redes sociais. “O objetivo será a segurança do povo e o desmonte total do perverso sistema de impunidade que reina neste momento, e que vai acabar assim que eu assumir o cargo.”

Há duas semanas, Espriella deu o prazo de um mês aos grupos armados para se submeterem à Justiça e sinalizou que não fará “concessões inaceitáveis”, em referência às políticas de Petro para o desarmamento de guerrilhas e grupos narcotraficantes.

O fim do conselho fará parte do plano de extinção de mais de 200 cargos na Presidência —que serão transferidos para os ministérios do Interior e da Defesa— previsto para quando o ultradireitista assumir o poder. Junto ao projeto, Espriella quer promover uma reestruturação na sede presidencial que, segundo ele, permitirá a economia de 10 bilhões de pesos (cerca de R$ 15,7 milhões).

Desde o começo de sua campanha, Espriella anunciou o encerramento da Jurisdição Especial para a Paz (JEP), que ele chama “tribunal de vingança” e acusa de emitir sentenças com “assimetria”.

A JEP, surgida do acordo de paz de 2016 que desarmou a guerrilha das FARC, julga graves violações aos direitos humanos cometidas durante o conflito de meio século por parte dos atores armados.

Além das reformas institucionais, o candidato eleito afirmou que tomará posse em uma instalação militar no sul do país, em 7 de agosto, mesmo com a ordem que Gustavo Petro determinou no domingo (12), para que “nenhum estabelecimento militar sirva” para a cerimônia. A lei colombiana estabelece que a transição de poder seja perante o Congresso, com sede em Bogotá.

“Vou tomar posse no sul do país em uma guarnição militar para prestar uma homenagem solene aos heróis da pátria e aos fardados que protegem a democracia, a liberdade, a institucionalidade”, disse Espriella nas redes sociais.

Sem maioria própria, o ultradireitista pediu ao futuro Congresso, que será formado na próxima segunda-feira (20), que autorize a realização da cerimônia em uma base militar, argumentando que o Legislativo deveria tomar “a decisão correta para cumprir com esse mandato do povo”.

Especialistas e juristas consideram que transferir todos os congressistas ao quartel para a posse seria uma operação logística complicada.

Espriella afirmou que orientou seus apoiadores “a não utilizarem a totalidade do orçamento” para o ato de 7 de agosto, porque quer “uma posse austera” e “sem desperdício”.

Petro afirma ter provas de fraude na votação do segundo turno e busca mobilizar entre seus seguidores uma manifestação para a próxima segunda-feira (20).

“Os quartéis militares e policiais estão sob minhas ordens até o momento em que o novo presidente faça o juramento”, indicou o atual presidente. “E, portanto, até este momento sou o comandante supremo das forças militares, nenhum oficial faz a continência a um civil a não ser quando este seja seu comandante supremo.”

Fonte: Folha de São Paulo

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