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China: Xi consolida poder absoluto sobre Forças Armadas – 08/05/2026 – Igor Patrick

Um tribunal militar condenou na quinta-feira (7) Li Shangfu, ex-ministro da Defesa, à morte. Na prática, a sentença será convertida em prisão perpétua sem possibilidade de redução ou liberdade condicional. Li foi considerado culpado de aceitar subornos milionários e de favorecer aliados em nomeações militares com seu antecessor no cargo, Wei Fenghe, recebendo a mesma pena.



A trajetória dele diz muito sobre como funciona o poder na China de Xi Jinping. Oficial do programa espacial militar, Li caiu nas graças do líder chinês e foi nomeado ministro em março de 2023 mesmo sendo alvo de sanções dos EUA por sua atuação em contratos militares com russos. Mas meses depois desapareceu da vida pública e em outubro, demitido, tornando-se o chefe de defesa com o mandato mais curto da história do país.

O tom da cobertura oficial elimina qualquer ambiguidade sobre a mensagem. O Diário do Exército de Libertação Popular publicou editorial acusando os dois de “colapso de fé e perda de lealdade“, a primeira vez que a palavra deslealdade aparece associada a Li num veículo oficial.

O texto vai além da condenação dos réus e lança um aviso ao afirmar que “o Exército empunha a arma, e não pode haver quem abrigue deslealdade ao Partido” e que “não importa quão alto o cargo, todos são iguais perante a disciplina partidária”.

As sentenças são as mais duras aplicadas a militares desde que Xi lançou sua campanha anticorrupção, mas estão longe de serem casos isolados. Dos 44 militares eleitos para o Comitê Central em 2022, ao menos oito foram destituídos ou investigados. No Quarto Plenário, em outubro de 2025, nove generais foram expulsos do Partido de uma vez. Nenhum militar foi promovido para preencher as vagas. Em fevereiro, mais nove perderam o mandato na Assembleia Nacional Popular.

A escala do expurgo levou analistas a especular que Xi estaria perdendo o controle das Forças Armadas, mas a leitura inverte a lógica do que está acontecendo. Derrubar figuras tão poderosas (incluindo aliados como He Weidong cuja carreira se cruzou com a de Xi nos anos 1990 em Fujian) exige mais poder, não menos.

Situações como estas agora mostram que é o Partido Comunista que dá as cartas na China, não o Exército. Tal expurgo sinaliza uma confiança sem precedentes de Xi no próprio poder, tanta que ele talvez nem precise se reeleger secretário-geral em 2027 para continuar governando.

Foi o que ouvi em Pequim na semana passada de vários interlocutores familiarizados com a dinâmica do Partido. A teoria é que Xi talvez mantenha apenas a presidência da Comissão Militar Central, cedendo o posto de secretário-geral ao premiê Li Qiang, que serviria como fiador do legado de Xi.

O arranjo não seria inédito. Mao Tse-tung abriu mão da liderança formal em favor de Liu Shaoqi depois do fracasso do Grande Salto Adiante e seguiu governando sem contestação. Deng Xiaoping nunca foi secretário-geral e comandou a China por quase duas décadas enquanto figuras como Hu Yaobang e Zhao Ziyang serviam de líderes formais com pouca autonomia.

A diferença é que ambos ainda dependiam de manobra política constante para se sustentar no topo. Xi construiu um sistema muito mais duradouro, em que o Partido, o Estado e o Exército já operam em função de uma única vontade. O título de secretário-geral virou quase um detalhe burocrático.


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Fonte: Folha de São Paulo

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