O bloqueio naval dos Estados Unidos contra embarcações indo ou vindo do Irã começou nesta terça-feira (14) às 17h de Brasília, marcando uma nova fase no conflito entre os americanos e a teocracia persa.
Segundo a Marinha americana, a Marinha americana impedirá embarcações com destino ou saindo de portos iranianos de trafegar pelo estreito de Hormuz, além de navios mercantes com bandeira do país.
Há na região dois porta-aviões americanos e cerca de 20 navios de combate e apoio, notadamente destróieres da classe Arleigh Burke, usados para abordagens contra adversários.
A medida já valeu antes, entre 13 de abril e 17 de junho, quando foi assinado o acordo de cessar-fogo que Donald Trump declarou nulo na quarta passada (8). O Comando Central dos EUA, responsável pelo Oriente Médio, disse ter desviado 140 embarcações e imobilizado outras 9.
O presidente americano causou controvérsia ao dizer que, a exemplo do que quer o Irã, iria cobrar um pedágio para garantir a livre navegação que não consegue assegurar hoje no estreito. Desistiu após um dia, pressionado por aliados do golfo Pérsico, e disse que irá trocar a taxa por acordos comerciais na região.
O Irã considera a medida abusiva e ilegal, e já disse que não irá respeitar o novo bloqueio, que gira em torno do controle da estratégica via por onde escoava um quinto do petróleo e gás natural liquefeito vendidos no mundo antes do começo da atual crise, com o ataque israelo-americano de 28 de fevereiro.
De seu lado, Teerã tem mantido sua atividade hostil contra a movimentação na região, dizendo que só deixará passar por Hormuz navios que peçam autorização à Guarda Revolucionária do país.
Na prática, o trânsito está quase nulo, restrito a quatro navios na medição mais recente de monitores. Antes da guerra, eram 140 indo e vindo pela via marítima.
Enquanto isso, a violência aumenta de lado a lado, mantendo a rotina de ataques iniciada na quarta passada e só interrompida na sexta (10). As forças de Trump lançaram bombardeios durante a madrugada de terça e reiniciaram a ação no fim da noite.
Os alvos principais são em posições perto de Hormuz, como a ilha de Qeshm e o porto de Bandar Abbas.
Na mão inversa, os iranianos voltaram a agir contra embarcações comerciais, atingindo ao menos 4 petroleiros em águas próximas ao estreito —2 deles dos Emirados Árabes Unidos, que voltaram a falar em tom mais duro acerca das ações de Teerã.
Em uma novidade nesta fase da crise, o Irã também atingiu um navio de guerra do Kuwait, ferindo quatro marinheiros. Até aqui, a teocracia dizia só alvejar instalações americanas, mas na segunda (13) emitiu um comunicado dizendo que o apoio dos vizinhos aos EUA seria lido como um “ato de guerra”.
Isso leva a questionamentos sobre a possibilidade de uma escalada envolvendo nações da região, o que não ocorreu com a exceção óbvia de Israel e, agora, da parte do Iêmen controlada por rebeldes aliados do Irã. Teerã também atacou bases ligadas aos americanos no Bahrein. Não há ainda uma estimativa de danos.




