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HomeMundoBill Gates: Epstein usou traições para pressioná-lo - 10/06/2026 - Mundo

Bill Gates: Epstein usou traições para pressioná-lo – 10/06/2026 – Mundo

Bill Gates, cofundador da Microsoft e filantropo bilionário, disse a um comitê do Congresso nesta quarta-feira (10) que o criminoso sexual Jeffrey Epstein explorou informações sobre seus casos extraconjugais para pressioná-lo “a retomar contato com ele” depois que Gates havia começado a cortar seus laços.

Gates fez seu comentário em um pronunciamento inicial ao Comitê de Supervisão da Câmara, que lhe fez perguntas sobre suas relações com Epstein em uma audiência a portas fechadas. O comitê tem investigado a condução do Departamento de Justiça em seu inquérito sobre Epstein e pessoas associadas a ele.

Um representante de Gates divulgou uma cópia de sua declaração antes da audiência, que tinha previsão de durar quatro horas.

Em sua declaração, Gates repetiu seus comentários anteriores de que se arrependia de ter tido qualquer envolvimento com Epstein, mas que nunca o viu se envolver em qualquer “conduta criminosa”. Gates também disse que “nunca vitimou ninguém”.

Revelações sobre as interações de Gates com Epstein começaram a vir à tona pouco depois de Epstein ter sido preso por autoridades federais em 2019 sob acusações de tráfico sexual. As revelações mancharam a reputação de Gates, contribuíram para o desgaste de seu casamento e levaram sua fundação beneficente a autorizar neste ano uma revisão externa de seus laços com Epstein.

“No trabalho que faço, a reputação é a base para desenvolver parcerias que salvam vidas. Reunir-me com Epstein foi um grave erro de julgamento e colocou esse trabalho em risco”, disse Gates em sua declaração. “O comportamento dele era antitético a todos os meus esforços para contribuir com um mundo onde todos tenham a chance de viver uma vida saudável e produtiva.”

As relações de Gates com Epstein começaram em 2011, cerca de três anos depois de o financista ter se declarado culpado na Flórida por solicitar prostituição de uma menor.

A confissão de culpa veio após um controverso acordo de não persecução penal com promotores federais, que interrompeu uma investigação sobre acusações de que Epstein havia abusado sexualmente de dezenas de adolescentes regularmente —algumas com apenas 14 anos.

Quando foi apresentado a Epstein em 2011, Gates disse que deveria ter pesquisado mais sobre o homem que estava conhecendo. “Lembro-me de estar ciente de que Epstein havia enfrentado problemas legais anteriores, mas não compreendi totalmente a extensão dos crimes que ele cometeu”, disse ele. “Aceitei a apresentação sem aplicar o escrutínio que deveria.”

Até 2014, Gates teve várias reuniões com Epstein, principalmente para discutir a possibilidade de criar um fundo chamado de doação orientada —um tipo de fundo beneficente com vantagens fiscais. Epstein também teve conversas sobre o fundo com banqueiros do JPMorgan Chase e esperava receber uma comissão em conexão com seu trabalho.

Mas o fundo nunca se concretizou e, no final de 2014, as conversas de Epstein com Gates sobre o assunto haviam praticamente terminado.

Gates disse que soube, depois de parar de lidar com Epstein, que o financista em desgraça estava tentando usar seus problemas conjugais para ganhar influência sobre ele.

O criminoso sexual tinha um padrão de tentar reunir informações pessoais sobre algumas das pessoas com quem lidava para se colocar em posição de deixá-las cientes que ele sabia coisas sobre elas.

“Como o público agora pode ver, com base no que foi divulgado nos arquivos, Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades”, disse Gates em sua declaração.

O comitê da Câmara já entrevistou várias pessoas do círculo de Epstein, incluindo o ex-presidente Bill Clinton e o ex-CEO da Victoria’s Secret, Leslie Wexner. O comitê também agendou entrevistas com James Staley, um executivo de Wall Street que por anos foi o principal defensor de Epstein no JPMorgan, e Leon Black, o bilionário que pagou a Epstein US$ 170 milhões por serviços fiscais e de planejamento patrimonial.

Fonte: Folha de São Paulo

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