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Ataques a barcos no Golfo pressionam Trump na China – 14/05/2026 – Mundo

Novos ataques a embarcações na região do Golfo nesta quinta-feira (14) aumentaram a tensão no Oriente Médio, em meio às negociações entre Estados Unidos e Irã e à viagem do presidente Donald Trump à China.

A Casa Branca afirmou que o tráfego na via marítima foi tema das conversas entre o republicano e o dirigente da China, Xi Jinping. Os dois teriam concordado, durante encontro realizado em Pequim, sobre a necessidade de manter o estreito de Hormuz aberto, declarou nota divulgada pelo governo americano.

Desde o início da guerra, Teerã impôs um fechamento quase total da passagem marítima, por onde antes transitava cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás. Desde abril, Washington responde com um bloqueio aos portos iranianos.

A medida causou um aumento do preço do petróleo mundialmente, e tem sido motivo de pressão para que Trump encerre o conflito. A China é diretamente afetada pela crise porque, segundo a empresa de análise marítima Kpler, mais da metade do petróleo bruto importado pelo país por via marítima vem do Oriente Médio e atravessa Hormuz.

De acordo com a Casa Branca, Xi expressou oposição à “militarização” da passagem e à implementação de um sistema de pedágio, como pretende o Irã.

Enquanto as negociações entre Teerã e Washington para pôr fim ao conflito seguem travadas, novos incidentes marítimos aumentam a instabilidade na região. No episódio mais recente, um cargueiro indiano que transportava gado da África para os Emirados Árabes Unidos afundou em águas próximas à costa de Omã.

A Índia condenou o ataque e informou que os 14 tripulantes foram resgatados pela guarda costeira de Omã. A empresa britânica de segurança marítima Vanguard afirmou que a embarcação foi atingida por um míssil ou drone, provocando uma explosão que levou ao naufrágio.

Separadamente, a agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que “pessoal não autorizado” embarcou em um navio ancorado a nordeste do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes, e passou a conduzi-lo em direção às águas territoriais iranianas. Fontes de segurança marítima identificaram a embarcação como o navio de pesquisa pesqueira Hui Chuan, de bandeira hondurenha.

Segundo a UKMTO, o incidente ocorreu a cerca de 70 quilômetros a nordeste de Fujairah. A Vanguard afirmou que o oficial de segurança da embarcação relatou que o navio havia sido tomado por forças iranianas. Desde então, o contato foi perdido.

A operadora da embarcação, identificada em bancos de dados marítimos como a SG Navigation, sediada nas Ilhas Marshall, não respondeu aos pedidos de comentário. Dados da plataforma MarineTraffic mostram que o navio foi visto pela última vez no Golfo de Omã, já dentro da zona econômica exclusiva iraniana.

Pelo menos outras duas embarcações já haviam sido apreendidas pelo Irã desde o início da guerra. A segurança na região se tornou ainda mais sensível porque Fujairah é o único porto petrolífero dos Emirados localizado fora do estreito de Hormuz, permitindo que parte das exportações de petróleo chegue aos mercados internacionais sem atravessar a passagem controlada por Teerã.

Na semana passada, o Irã divulgou um mapa ampliado reivindicando controle sobre essa área costeira.

Apesar das tensões, o Irã parece avançar em acordos específicos com alguns países para permitir a travessia de embarcações pelo estreito. Um petroleiro japonês cruzou Hormuz na quarta-feira (13) após a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmar que havia solicitado ajuda diretamente ao presidente iraniano.

Um grande petroleiro chinês também atravessou a rota no mesmo dia, e a agência estatal Fars News Agency informou nesta quinta-feira que um acordo foi alcançado para permitir a passagem de determinadas embarcações chinesas.

A Guarda Revolucionária Islâmica declarou que permitiu que 30 navios cruzassem o estreito desde a noite de quarta-feira. Segundo fonte da agência de notícias iraniana Fars, o trânsito de navios da China pela rota foi retomado após um entendimento entre os dois países.

Embora o número ainda esteja muito abaixo das cerca de 140 embarcações que normalmente atravessavam a passagem diariamente antes da guerra, representa um aumento significativo no fluxo marítimo, caso os dados sejam confirmados.

Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou nesta quinta-feira os Emirados Árabes Unidos de desempenharem um papel ativo na guerra contra seu país.

O chanceler iraniano também mencionou o que Israel descreveu como uma reunião “secreta” nos Emirados Árabes Unidos entre o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e o presidente emiradense, Mohammed bin Zayed Al Nahyan. Abu Dhabi nega que o encontro tenha ocorrido.

“Devo dizer que os Emirados Árabes Unidos estiveram diretamente envolvidos no ato de agressão contra meu país. Quando essa agressão começou, eles sequer se dispuseram a condená-la”, afirmou Araghchi. “Também ficou claro que participaram desses ataques e podem até ter atuado diretamente contra nós.”

As relações entre Irã e Emirados Árabes Unidos se deterioraram desde o início da guerra. Teerã acusa repetidamente os países do Golfo de permitirem que forças americanas lancem ataques a partir de seus territórios. As monarquias da região negam as acusações e afirmam que não autorizariam o uso de spaço para ações militares contra o Irã.

Os Emirados Árabes Unidos negaram nesta quinta-feira relatos de que Netanyahu tenha visitado secretamente o país durante o conflito. Na quarta-feira, o gabinete do premiê israelense informou que ele “realizou uma visita secreta aos Emirados Árabes Unidos”, onde teria se reunido com Mohammed bin Zayed Al Nahyan.

A declaração foi divulgada após o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, afirmar que Washington enviou sistemas de defesa aérea e militares encarregados de operá-los nos Emirados.

Fonte: Folha de São Paulo

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