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Após ameaça de Trump, Irã diz que não quer ampliar guerra – 04/08/2026 – Mundo

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira (4) que o país defenderá seu território, mas não pretende ampliar a guerra no Oriente Médio, em meio à disputa de versões entre Teerã e Washington sobre as negociações entre os dois países.

Segundo a mídia estatal iraniana, Pezeshkian disse que a República Islâmica não busca a expansão do conflito com os Estados Unidos. Na segunda-feira (3), o presidente Donald Trump disse que quer dar ao Irã “todas as últimas chances antes da decapitação” e acusou a liderança do país de agir de forma contraditória ao pedir reuniões para, em seguida, negar publicamente qualquer diálogo com Washington.

Horas depois, o republicano reiterou que as negociações “estão ocorrendo” e afirmou que esta é “a última chance” para que Teerã assine um acordo. O país persa vem rejeitando publicamente qualquer conversa com Washington desde que um memorando de entendimento firmado em junho, destinado a encerrar o conflito, fracassou, com a retomada das ofensivas no mês passado.

Trump também afirmou que o bloqueio ao estreito de Hormuz será mantido até que haja um acordo ou a “rendição total” da República Islâmica. No domingo (2), ele havia dito que havia decidido suspender novos ataques contra o país pois uma nova rodada de negociações começaria na segunda-feira.

O regime persa afirmou ainda na segunda que conversa com com Omã sobre a gestão do estreito de Hormuz. Segundo um funcionário de alto escalão do regime iraniano ouvido pela Reuters, Teerã negocia um plano temporário para reabrir a via marítima que manteria sob supervisão iraniana o tráfego de navios.

Pela proposta em discussão, o Irã controlaria as embarcações que entram no estreito e teria acesso às informações sobre os navios que deixam a região, com poder para intervir se considerar necessário. As autorizações de saída seriam emitidas por Omã, após notificação às autoridades iranianas.

Segundo o funcionário iraniano, é improvável que o Irã recue dessa posição. Teerã já teria flexibilizado sua exigência inicial de controlar o tráfego nos dois sentidos da via marítima. Ainda assim, o regime rejeitou, no mês passado, uma proposta de Omã que previa a divisão igual das rotas de navegação entre os dois países pois, segundo o regime, não atendia às preocupações de segurança enquanto não houver estabilidade regional de longo prazo.

A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um navio de carga foi atingido por um projétil de origem desconhecida próximo ao estreito, na costa de Omã. Segundo trabalhadores do setor marítimo ouvidas pela Reuters, a tripulação abandonou a embarcação e um marinheiro segue desaparecido.

O controle sobre o estreito tornou-se um dos principais impasses nas negociações para encerrar a guerra. Os Estados Unidos afirmam que o memorando firmado com o Irã em junho previa a reabertura de Hormuz , enquanto Teerã sustenta que o texto preserva sua autoridade sobre o tráfego marítimo na região.

Antes da guerra, a navegação pelo estreito ocorria normalmente.

Fonte: Folha de São Paulo

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