Uma fragata da Marinha da Rússia fez disparos de advertência contra um iate civil com bandeira do Reino Unido no canal da Mancha, nesta terça-feira (16), após uma manobra considerada perigosa, segundo autoridades. De acordo com os governos russo e britânico, a ação teve como objetivo evitar uma possível colisão entre as embarcações.
Em nota, o Ministério da Defesa da Rússia escreveu que a fragata Almirante Grigorovich identificou o iate navegando em uma rota que representava risco de choque com o navio militar. A tripulação, então, tentou estabelecer contato por rádio diversas vezes, mas não obteve resposta.
Diante da falta de comunicação, o navio russo fez disparos de advertência à frente do iate. Após os tiros, segundo Moscou, o iate mudou sua rota e se afastou da área.
O Ministério da Defesa britânico confirmou que os tiros foram feitos como uma tentativa de evitar uma colisão depois que o navio russo não conseguiu contato com a embarcação civil. As autoridades dos dois países, portanto, apresentaram versões semelhantes sobre a causa do incidente.
Há divergências, contudo, sobre a distância entre os navios no momento dos disparos. A Rússia afirmou que as embarcações estavam separadas por cerca de 150 metros. Já uma autoridade familiarizada com o caso informou que a distância era de aproximadamente 450 metros.
O episódio ocorreu sob forte nevoeiro, a cerca de 40 km ao sul da Ilha de Wight, numa região situada fora das águas territoriais britânicas. Não houve registro de feridos.
O incidente ocorreu em um momento de alerta sobre a movimentação de embarcações russas no canal da Mancha. Em abril, o Almirante Grigorovich escoltou petroleiros que transportaram petróleo russo pela mesma rota.
Já no domingo (14), forças britânicas interceptaram o petroleiro Smyrtos, integrante da chamada “frota paralela” utilizada para transportar petróleo russo apesar das sanções ocidentais. A operação marcou a primeira ação britânica voltada para interrupção direta de receitas petrolíferas que ajudam a financiar a guerra da Rússia na Ucrânia.
Apesar da proximidade entre os dois episódios, o Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou não haver indícios de ligação entre eles. Segundo um porta-voz da pasta, a avaliação oficial é de que os disparos desta terça constituíram um “incidente isolado”.
A Rússia afirmou que a tripulação da fragata atuou em conformidade com as normas internacionais de navegação e adotou todas as medidas necessárias para evitar um acidente. O governo britânico acrescentou que um navio da Marinha Real acompanhava os movimentos do Almirante Grigorovich e que foi prestado apoio à tripulação do iate após o ocorrido.




