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Acordo de Trump com Irã que pode ser pior que o de Obama – 15/06/2026 – Mundo

Após cem dias de guerra, 7.500 mortos e cerca de US$ 100 bilhões gastos, o presidente Donald Trump acabou assinando um acordo com o Irã que pode ser pior do que o firmado por Barack Obama em 2015 e execrado pelo republicano.

Trump anunciou a saída dos EUA do JCPOA, como ficou conhecido o acordo, em 2018, afirmando que ele liberava bilhões para o Irã em troca de poucos comprometimentos para acabar com o programa nuclear e que não abordava problemas como os mísseis iranianos e seu patrocínio a milícias como o Hezbollah e os houthis.

O JCPOA previa alívio de sanções ao Irã em troca de limites ao enriquecimento de urânio no país, com uma estrutura rígida de inspeções. O tratado foi assinado por EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha.

Com o tratado na lata do lixo após a saída de Washington, foram retomadas as sanções contra o Irã e suspensas as inspeções do JCPOA. Resultado: Teerã acelerou seu programa nuclear e chegou aos atuais 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, próximo do nível necessário para armamentos e muito superior ao que tinha anteriormente.

Quando Trump iniciou a guerra, ao lado de Israel, em 28 de fevereiro, ele exigia desmonte total do programa nuclear iraniano, transferência ou destruição de todo o estoque de urânio altamente enriquecido.

O JCPOA estipulava que o urânio seria vendido, transferido para o exterior ou diluído —11,3 mil quilos foram enviados para fora do país.

O acordo assinado por Trump é apenas um memorando de entendimento com uma página e meia. Como comparação, o JCPOA, que levou mais de um ano em negociação, tinha 18 páginas. Ainda assim, pelas informações disponíveis até agora, o acordo atual prevê apenas que o destino do urânio será negociado nos próximos 60 dias —a diluição do material em território iraniano, com fiscalização de inspetores da Agência Internacional de Energia Nuclear, seria o comprometimento mais provável.

Trump afirmava que não repetiria um grande erro do acordo de Obama, de liberar recursos para o regime iraniano. Em entrevista à CBS News nesta segunda-feira (15), o vice-presidente J. D. Vance afirmou que o Irã poderia acessar um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões dos países do Golfo se cumprisse exigências do acordo.

Depois veio esclarecer que nenhum recurso será liberado antes de Teerã cumprir sua parte do combinado. Ainda assim, parte das sanções contra o Irã será levantada, e espera-se que parte dos US$ 24 bilhões de ativos iranianos congelados seja liberada no curto prazo.

Outras exigências iniciais de Trump tampouco estão contempladas no acordo assinado, segundo informações até o momento. Acabar com o programa de mísseis iraniano e encerrar o apoio do Irã para milícias aliadas nem sequer entraram no texto. O único avanço concreto é o comprometimento de reabrir o estreito de Hormuz, virtualmente fechado desde o início da guerra.

Mas esse problema não existia antes, ele foi criado pela guerra de Trump. E, mesmo assim, há ressalvas. Trump afirmou na cúpula do G7 que o Irã não cobrará pedágio das embarcações que quiserem cruzar o estreito. Já o porta-voz da diplomacia iraniana disse que o país nunca cogitou impor um pedágio, mas que haverá taxas para serviços de navegação, proteção ambiental e seguro cobradas pelo Irã e Omã.

Existe apenas um aspecto em que o acordo de Trump pode superar o de Obama. O JCPOA falava em um limite de 3,67% de enriquecimento do urânio iraniano, bem abaixo dos níveis necessários para armamentos.

Trump abriu a guerra exigindo que o programa nuclear fosse encerrado para sempre. No texto em negociação, pode haver um comprometimento de suspensão total de enriquecimento por 10 ou mais anos. Ainda assim, nada garante que o Irã vai cumpri-lo.

O JCPOA, que levou mais de um ano para ser negociado, tinha uma estrutura rígida de inspeções. O atual ainda não especifica como será a fiscalização do cumprimento da obrigação de suspensão de enriquecimento.

Recentemente, Trump voltou a atacar o JCPOA em postagem em rede social. “O acordo de Obama era o caminho para uma arma nuclear do Irã, com dinheiro e tudo, um dos piores e mais estúpidos acordos já assinados. Nosso acordo é uma muralha que vai impedir para sempre o Irã de ter uma arma nuclear.”

Há muitas dúvidas sobre o que realmente será decidido após os 60 dias de negociação. Mas uma coisa é certa: fiel a seu estilo, Trump vai declarar que seu acordo é muito melhor que “o acordo de Obama”.

Fonte: Folha de São Paulo

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