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Xi na Coreia do Norte expõe influência sobre Pyongyang – 10/06/2026 – Mundo

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Xi Jinping encerrou nesta terça-feira (9) uma visita de Estado de dois dias a Pyongyang, a primeira de um líder chinês à Coreia do Norte em mais de sete anos.

Essa também foi a primeira viagem internacional de Xi em 2026, que tem reduzido significativamente o tempo que passa fora da China. O encontro ocorreu semanas depois de ele receber em Pequim o presidente americano, Donald Trump, e o russo, Vladimir Putin.

Como esperado, a visita foi bastante coreografada, com vários momentos planejados exclusivamente pela foto. Xi e Kim Jong-un, por exemplo, plantaram uma árvore no terreno da nova escola de quadros do Partido dos Trabalhadores da Coreia, a principal academia de formação de dirigentes do país. Depois foram depositar flores na Torre da Amizade China-Coreia do Norte.

Posteriormente, em um almoço na Casa de Hóspedes de Estado de Kumsusan, Xi disse ter chegado a um “consenso crítico” com Kim acerca da melhor forma de “conduzir os laços a um novo patamar”, segundo a TV estatal CCTV.

O termo é basicamente um “diplomatiquês” para aprofundamento nas relações. Na prática, se refletiu na declaração conjunta entre os dois países que, em prol de tal “novo patamar”, não trouxe nenhuma menção ao desarmamento nuclear na península coreana. O tópico costumava permear as negociações de Pequim e Pyongyang. Desta vez, silêncio.

No lugar do termo, Xi pediu apenas que os dois lados reforcem a “coordenação estratégica para proteger a soberania, segurança e desenvolvimento regionais”.

A omissão talvez se justifique pelo fato de Pyongyang chegar ao encontro com mais poder de barganha. Desde 2022, o país tem enviado tropas e munição para a guerra russa na Ucrânia em troca de petróleo, tecnologia e garantias de segurança. A inteligência ucraniana estimou em abril que mais de 14 mil soldados norte-coreanos estão em território russo e pelo menos 2.250 teriam morrido.

Em troca, Kim arrancou de Putin um tratado de defesa mútua, algo que os norte-coreanos só tinham com a China. Isso fez a dependência estratégica e militar em relação a Pequim diminuir.

A China segue como principal sustentáculo econômico do regime. Suas exportações para a Coreia do Norte somaram US$ 2,3 bilhões (R$ 12 bilhões) no ano passado, o maior volume em seis anos.

Por que importa: A visita expõe a erosão da influência chinesa sobre um vizinho que agora tem em Moscou um segundo padrinho. Com petróleo, tecnologia e abrigo russo no Conselho de Segurança, Kim depende menos de Pequim e expande seu programa nuclear sem freios.

A China, enquanto isso, tenta atrair Pyongyang sem conseguir contê-la. A aposta de Xi é evitar que a escalada nuclear de Kim aproxime militarmente Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul na fronteira chinesa.


pare para ver

Foto faz parte da série “The Tumen River on the Border” (o rio Tumen na fronteira) produzido pelo fotógrafo sino-coreano Xuezhe Shen. Nascido em Yanbian, na China, ele retrata a fronteira natural que divide a China da Coreia do Norte, registrando paisagens áridas e surreais que capturam a realidade geográfica e a separação da península.


o que também importa

EUA incluem Alibaba, Baidu, BYD e NIO em lista de empresas ligadas ao Exército chinês. A classificação torna as tratativas comerciais e cooperação com instituições americanas mais difíceis, já que dependerão de uma autorização especial do Departamento de Segurança Interna, Comércio, Estado e Defesa. BYD, Alibaba, Baidu e WuXi AppTec rejeitaram a inclusão e prometeram ação legal, enquanto o governo chinês chamou a decisão de “discriminatória”.

Taiwan acusou a guarda costeira chinesa de assediar embarcações comerciais perto da ilha. A China, que vê Taiwan como seu território, tem ampliado presença na área depois que Japão e Filipinas anunciaram negociações sobre fronteiras marítimas. Pequim enviou navios para uma operação de fiscalização nas águas a leste da ilha e, desde domingo, três cargueiros foram abordados por rádio. Taiwan respondeu pedindo que os mercantes ignorassem as perguntas da marinha chinesa.


fique de olho

O Brasil deve anunciar no fim do mês a sua primeira emissão de títulos soberanos em yuan na China, revelou com exclusividade a agência Reuters na última sexta-feira (5).

Segundo a agência, a operação ocorrerá durante visita de uma delegação do governo a Pequim e Xangai, entre os dias 24 e 26 de junho e faz parte de uma estratégia anunciada neste ano para ampliar a presença brasileira em mercados de dívida fora do dólar.

Entenda: Panda bonds são títulos de dívida emitidos por governos ou empresas estrangeiras dentro da China, mas pagos em yuan. Eles funcionam como um empréstimo. O Brasil capta dinheiro com investidores chineses e se compromete a devolver o valor com juros, ganhando nas taxas, hoje mais baixas que as do mercado em dólar.

  • O mercado de panda bonds emitidos por estrangeiros na China somou 194,8 bilhões de yuans (cerca de R$ 146 bilhões) em 2024, patamar inédito. O Brasil seria a maior economia latino-americana a testá-lo.

A agenda oficial será conduzida pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. A pasta não quis comentar a notícia. O tamanho, o prazo e os juros da operação ainda não foram divulgados.

Antes da visita do ministro, técnicos brasileiros viajam à China na próxima semana para uma reunião do subcomitê financeiro bilateral. Na viagem preparatória, o país apresentará instrumentos da agenda ambiental de Lula, como os leilões do programa EcoInvest e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), anunciado durante a COP do ano passado em Belém.

Por que importa: a emissão garante acesso a juros baixos, mas amarra parte da dívida soberana brasileira a um mercado raso e regulado por Pequim. O passo aprofunda a aposta de Lula na China no momento de ruptura com os EUA, mas expõe o país ao risco de virar peça na disputa cambial entre as duas maiores economias do mundo.


para ir a fundo

O presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China, Thomas Law, lança no dia 18 o livro “A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD ) e a IA Generativa: uma análise comparada ao novo modelo chinês”. O evento de lançamento acontecerá na Livraria D’Plácido, no Conjunto Nacional. Mais informações aqui.



Fonte: Folha de São Paulo

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