O rei Charles 3º e a rainha consorte Camilla, do Reino Unido, chegaram nesta segunda-feira (27) aos Estados Unidos para uma viagem de quatro dias e foram recebidos pelo presidente Donald Trump, um autoproclamado fã da realeza britânica. A visita ocorre, porém, em meio a divergências entre o governo britânico e a Casa Branca sobre a participação de Londres na guerra no Irã.
A visita de Estado, de longe a mais importante do reinado de Charles, marca o 250º aniversário da Declaração de Independência dos EUA em relação ao domínio britânico. Ainda é a primeira ao país feita por um monarca britânico em duas décadas.
Charles e Camilla pousaram na Base Aérea de Andrews, onde foram recebidos por autoridades diplomáticas, estaduais e federais, além de membros sêniores da embaixada britânica, e aceitaram flores de filhos de militares britânicos que servem nos EUA.
Eles seguiram para a Casa Branca, onde foram recebidos por Trump e pela primeira-dama Melania. Os quatro posaram brevemente para fotógrafos antes de se recolherem para um chá privado.
A programação da semana também inclui um discurso ao Congresso na terça-feira (28), um suntuoso jantar de Estado na Casa Branca e uma parada em Nova York na quarta-feira (29). Os eventos em Washington acontecem com grande parte da capital ainda abalada após um atirador tentar invadir o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca no sábado, onde estava o presidente.
Embora Trump seja um fã declarado da família real britânica que regularmente descreve Charles como um “grande homem”, ele tem tido divergências com o governo britânico do primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer.
Starmer espera que a visita fortaleça o futuro da “relação especial” existente entre os dois aliados, que está em seu ponto mais baixo desde a crise de Suez, em 1956.
A visita, planejada há muito tempo, ficou envolvida em uma disputa política entre os dois países sobre a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, o que levou Trump a expressar profundo descontentamento com o governo britânico pela falta de apoio à ofensiva nos termos em que o republicano desejava.
O rei, que ainda está em tratamento contra o câncer, deverá se tornar na terça o segundo monarca britânico a discursar no Congresso dos EUA.
Os membros da realeza seguirão então para Nova York, onde devem homenagear os mortos nos ataques de 11 de setembro de 2001, antes do 25º aniversário da data, enquanto a rainha consorte Camilla também marcará o centenário das histórias infantis do Ursinho Pooh.
A viagem termina na Virgínia, onde o rei deve encontrar pessoas envolvidas em trabalhos de conservação ambiental, uma referência à sua campanha ambiental de décadas.
O embaixador britânico nos EUA, Christian Turner, disse que a visita ressaltaria a “história compartilhada, o sacrifício e os valores comuns” entre os dois países, acrescentando que a abordagem seria bem britânica: “Mantenha a calma e siga em frente”.
Embora Trump tenha amenizado suas críticas ao Reino Unido nos últimos dias sobre sua resposta à guerra no Irã, um email interno do Pentágono detalhou como os EUA poderiam revisar sua posição sobre a reivindicação britânica das ilhas Malvinas como punição pela falta de apoio, tensionando ainda mais as relações.
Uma questão que Charles tentará evitar durante sua visita é o escândalo de Jeffrey Epstein. Pessoas próximas à realeza disseram à agência Reuters que não seria possível para o casal real se encontrar com vítimas de Epstein durante a viagem, como alguns solicitaram, para evitar impactar possíveis processos criminais.
O irmão de Charles, Andrew Mountbatten-Windsor, cuja reputação e posição na realeza foram destruídas por suas ligações com o criminoso sexual americano, morto em 2019, enfrenta investigações policiais sobre suas conexões com Epstein. Andrew, que teve seu título de príncipe retirado, negou qualquer irregularidade.




