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HomeMundoEUA e Irã seguirão negociando; escalada militar continua - 26/02/2026 - Mundo

EUA e Irã seguirão negociando; escalada militar continua – 26/02/2026 – Mundo

Apesar do acúmulo de preparativos para um ataque dos Estados Unidos ao Irã, delegações dos dois países decidiram continuar negociando sua disputa acerca do programa nuclear do país persa na semana que vem em Viena.

Os rivais negociaram de forma indireta nesta quinta-feira (26) em Genebra, sob a mediação de Omã. Segundo o chanceler do país árabe, Badr al-Busaidi, houve “progressos significativos” nas conversas, que foram descritas por autoridades americanas a diversos meios de comunicação como “difíceis” e “frustantes”.

À frente da delegação do Irã, o chanceler Abbas Araghchi disse que as conversas foram “as mais sérias até aqui” e que “um bom progresso foi feito em algumas questões, mas ainda há diferenças em certas áreas”. Os americano ainda não se pronunciaram.

De todo modo, as negociações continuam e serão focados segundo o omani em “aspectos técnicos e nucleares”. A capital austríaca é sede da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), cujo diretor-geral, o argentino Rafael Grossi, esteve como observador nos debates na Suíça.

As negociações começaram às 10h15 (6h15 em Brasília) na residência do embaixador de Omã, durando três horas até um intervalo no qual os lados rivais consultaram seus governos. Às 17h50 (13h50 em Brasília), foram retomadas, durando mais 1 hora e 50 minutos.

Como nas fracassadas conversas de 2025 e nas duas rodadas anteriores agora, o diálogo foi indireto: um lado passa suas propostas para o chanceler omani, Badr al-Busaidi, que a transmite para o outro.


A delegação americana foi comandada pelo negociador Steve Witkoff e pelo genro de Trump Jared Kushner, que representa os interesses empresarias do sogro, causando ojeriza entre diplomatas.

A última vez em que houve negociações diretas entre os rivais foi na costura do acordo nuclear de 2015, pelo qual o Irã se comprometia a reduzir sua capacidade de enriquecimento a níveis civis, 3,75%, reduzia seus estoques do material e desmantelava equipamentos vitais.

A AIEA era responsável pela verificação do arranjo, que em troca aliviou sanções ocidentais ao país. Em 2018, denunciando os termos do acordo e apontando para o fato de que ele não impedia na prática o acesso à bomba se descumprido, Trump o deixou.

As sanções foram retomadas, assim como a hostilidade. A partir de 2022, Teerã praticamente dobrou seu estoque de urânio enriquecido para 440 kg, e elevou seu enriquecimento a 60%, segundo a AIEA. Isso permite produzir de 10 a 15 bombas de baixo rendimento.

O impasse e as guerras de Israel após o ataque terrorista do Hamas, grupo bancado por Teerã, em 2023 levaram a crise para o campo militar. Tel Aviv conseguiu reduzir drasticamente as capacidades dos prepostos do Irã na região, a começar pelo libanês Hezbollah.

Os arquirrivais trocaram fogo aéreo em 2024 e, em junho passado, o Estado judeu começou uma guerra de 12 dias com bombardeios de lado a lado que expôs o Irã como um tigre de papel, apesar dos danos em Israel.

Trump entrou na briga para encerrá-la, atacando pela primeira vez três alvos do programa nuclear. Deu-se por satisfeito, mas quis aproveitar os protestos contra o regime contra o regime para ameaçar os aiatolás. Voltou a trás para ganhar tempo em janeiro, mas começou a montar um grande cerco aeronaval ao Irã, o maior desde a Guerra do Iraque em 2003.

Ao mesmo tempo, os EUA reabriram as negociações, que nesta quinta chegaram a um ponto agudo, com o presidente americano maximizando suas demandas públicas e ameaçando atacar.

Segundo o americano Wall Street Journal, as demandas de Trump seguem maximalistas: ele quer o fim do programa nuclear e zero enriquecimento de urânia, oferecendo como contrapartida apenas reduções mínimas nas sanções.

Os iranianos, diz o WSJ, querem voltar a algo parecido com 2015, com uma redução na capacidade de enriquecimento por até cinco anos. Com efeito, o site americano Axios afirmou que a primeira parte das conversas foi “frustrante” para Washington.

Com efeito, como nas rodadas anteriores, houve até aqui apenas declarações iniciais, e cautelosamente otimistas, do lado do Irã e dos mediadores omanis.

Aumentando a tensão, a movimentação militar de Trump continua de vento em popa. Nesta quinta, o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, deixou a escala que fez em Creta para rumar à costa de Israel, de onde pode participar de um ataque coordenado mirando o oeste do Irã. O navio e sua escolta devem chegar à região até o fim da semana.

Ao todo, os americanos mobilizaram até aqui 18 navios de guerra, nível semelhante ao de ataques pontuais do passado, mas não próximo dos 55 usados na guerra de 2003, por exemplo. Há uma grande variedade de aeronaves, cerca de 200 ao todo, em diversas bases e no dois porta-aviões enviados.

Em mais um sinal de que está acompanhando de perto a movimentação de seu maior rival estratégico, a China divulgou nesta quinta imagens de 11 caças de quinta geração americanos F-22 que foram enviados à base de Ovda, no sul de Israel.

A divulgação ocorreu por meio da empresa MizarVision, que vem publicando constantemente fotos detalhadas do posicionamento de ativos militares americanos na crise do Oriente Médio, facilitando a vida de planejadores militares aliados seus no Irã.

Outros F-22 e o modelo também furtivo ao radar F-35 atravessaram o Atlântico rumo ao Oriente Médio nesta quinta, quando também foi divulgada uma imagem de Diego Garcia, base britânica usada pelos americanos no Índico que é a única da região fora do alcance de mísseis iranianos.

Chegaram por lá caças F-16, aviões de patrulha marítima P-8 e cargueiros pesados, mas não bombardeiros estratégicos —o Reino Unido vetou por ora o uso do local para eles, gerando protestos de Trump.

Por fim, em um movimento visto como preparatório para aliviar eventual pressão no seu flanco norte em caso de guerra, Israel bombardeou posições do Hezbollah no leste do Líbano.

A tensão é generalizada. Mais de dez países, inclusive o Brasil, recomendaram a saída de seus cidadãos do Irã e pediram para que viagens ao país fossem evitadas. Empresas aéreas como a holandesa KLM já anunciaram a suspensão de seus voos para Israel.

Fonte: Folha de São Paulo

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