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Protestos em Minneapolis: Trump ameaça usar tropas – 15/01/2026 – Mundo

Horas após mais um caso de violência envolvendo um agente de imigração em Minneapolis e diante de um cenário de tensão crescente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou enviar as Forças Armadas para reprimir manifestações na cidade. Trump disse que, caso os protestos continuem, invocará uma lei do século 19 que autoriza o uso dos militares para reprimir rebeliões armadas em território americano.

Em publicação na plataforma Truth Social, o líder republicano escreveu que, se os “políticos corruptos” do estado de Minnesota não impedirem “agitadores e insurrecionistas” de atacar agentes do ICE, o serviço de imigração americano, ele recorrerá à controversa Lei da Insurreição para restabelecer a ordem.

A simples menção à lei aumentou a preocupação entre autoridades estaduais e municipais, que já classificam a atuação federal como excessiva e desestabilizadora.

Criada em 1807, a legislação permite ao presidente empregar soldados das Forças Armadas em situações em que distúrbios civis ultrapassem a capacidade das autoridades locais de manter a ordem. A legislação foi usada pela Casa Branca durante a Guerra Civil e, nos anos 1960, para impor o fim da segregação racial. A última aplicação ocorreu em 1992, durante os protestos antirracismo em Los Angeles. Eles deixaram 63 mortos e milhares de feridos.

A ameaça de Trump ocorreu após novo episódio de violência registrado na quarta-feira (14), quando um agente federal de imigração atirou contra um homem em Minneapolis, o que desencadeou mais protestos na cidade. Segundo o Departamento de Segurança Interna, o homem é um imigrante da Venezuela.

Ele foi atingido na perna e levado a um hospital para atendimento médico. As autoridades não divulgaram sua identidade. Em comunicado publicado na rede X, o departamento afirmou que “um estrangeiro ilegal da Venezuela” foi abordado durante uma fiscalização de trânsito e teria resistido à prisão.

“Enquanto o indivíduo e o agente da lei estavam em luta no chão, duas pessoas saíram de um apartamento próximo e também atacaram o agente com uma pá de neve e um cabo de vassoura”, publicou a pasta.

O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse que uma multidão foi às ruas após o caso e que alguns manifestantes lançaram fogos de artifício contra policiais. Não há registro de feridos nem de prisões.

O caso se soma à morte da cidadã americana Renee Nicole Good, 37, baleada por um agente do ICE na semana passada. O episódio provocou indignação e mobilizações em massa contra a presença de forças federais.

Líderes locais, como o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador de Minnesota, Tim Walz, vêm condenando a atuação do ICE na região. Desde a morte de Good, protestos e confrontos entre manifestantes e forças federais se tornaram frequentes em todo o estado.

“Isso não é sustentável”, afirmou Frey. “Temos agentes do ICE por toda a cidade e por todo o estado (…) que estão criando caos.”

Em vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira, Walz também criticou “o caos, a perturbação e o trauma que o governo federal está impondo à comunidade”. O líder democrata mencionou interrogatórios de porta em porta por agentes do ICE “armados, mascarados e mal treinados”.

A morte de Good ocorreu logo após cerca de 2.000 agentes federais terem sido enviados para a área de Minneapolis no que o Departamento de Segurança Interna chamou de sua maior operação de todos os tempos, aprofundando uma divisão entre o governo federal e os líderes democratas no estado.

Apesar das manifestações, o governo Trump se recusa a abrir uma investigação sobre a atuação do ICE na morte de Renee Good. O Departamento de Segurança Interna sustenta que o agente responsável pelo disparo agiu em legítima defesa, o que é contestado por organizações da sociedade civil.

Segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta quinta, os republicanos estão divididos sobre o grau de força que agentes federais de imigração devem empregar em suas operações. Os entrevistados foram questionados se os agentes deveriam priorizar a redução de danos às pessoas, ainda que isso limitasse o número de prisões, ou se deveriam estar dispostos a usar a força mesmo com risco de ferimentos graves.

Entre os republicanos, 59% afirmaram que as prisões devem ser priorizadas mesmo com risco de ferimentos, enquanto 39% defenderam que a atuação dos agentes deve focar a redução de danos, ainda que isso resulte em menos detenções.

Entre os democratas, houve consenso: 96% disseram que evitar ferimentos deve ser a prioridade, contra apenas 4% favoráveis a uma atuação centrada no número de prisões. Parte dos entrevistados não respondeu à pergunta. A pesquisa ouviu 1.217 pessoas em todo o país e tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Fonte: Folha de São Paulo

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