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Petroleiros deixam Venezuela apesar do bloqueio de Trump – 05/01/2026 – Mundo

Cerca de uma dúzia de navios-tanque carregados com petróleo bruto e combustível da Venezuela deixaram as águas do país desde o início de 2026, apesar do bloqueio de exportações imposto pelo governo dos Estados Unidos, de acordo com documentos analisados pela agência de notícias Reuters e por fontes do setor, incluindo o serviço de monitoramento TankerTrackers.com.

O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs um bloqueio a todos os petroleiros sancionados com destino à Venezuela em meados de dezembro, antes da captura do ditador Nicolás Maduro em uma ofensiva militar de Washington nas primeiras horas do sábado (3). No mesmo dia, após o ataque a Caracas, Trump disse que o embargo de petróleo permanecia em vigor.

Todas as embarcações que partiram estão sob sanções e a maioria navega agora em alto-mar sem bandeira conhecida ou documentação atual de segurança marítima, segundo os dados de navegação. Metade delas são supernavios que normalmente transportam petróleo venezuelano para a China, segundo o TankerTrackers.com e documentos de embarque da PDVSA, empresa estatal venezuelana de energia.

Não ficou claro se os EUA aprovaram ou permitiram os carregamentos. Trump também disse no sábado que os maiores clientes da Venezuela, incluindo a China, continuariam recebendo petróleo.

Uma autoridade americana disse à Reuters nesta segunda-feira (5) que o bloqueio de navios está focado em petroleiros sancionados, mas não se manifestou sobre os navios que partiram.

A Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA, a estatal venezuelana PDVSA e o Ministério do Petróleo da Venezuela não responderam aos pedidos de comentário feitos pela Reuters.

Os navios transportam um volume estimado de 12 milhões de barris de petróleo pesado e óleo combustível venezuelano, de acordo com negócios fechados com a PDVSA e imagens de satélite analisadas pelo TankerTrackers.com.

Não se sabe para onde os navios estavam se dirigindo. Quando foram carregados, em dezembro, a maioria tinha como destino a Ásia. Os navios estavam presos em águas venezuelanas desde então devido ao bloqueio dos EUA.

Um grupo separado de três navios menores vazios, também sob sanções, deixou o país após completar viagens domésticas ou descarregar importações, incluindo nafta russa, um tipo de diluente.

Pelo menos quatro dos petroleiros que partiram deixaram as águas venezuelanas no sábado através de uma rota ao norte da ilha de Margarita após breve parada perto da fronteira marítima do país, de acordo com o TankerTrackers.com.

Pelo menos quatro superembarcações haviam sido autorizadas pelas autoridades venezuelanas a partir em modo escuro, disseram à Reuters três fontes com conhecimento da documentação de partida. Isso significa que os navios navegam sem seus dispositivos de rastreamento por satélite ligados, uma estratégia comum para a frota global que transporta petróleo sancionado da Venezuela, do Irã e da Rússia pelo mundo.

Ao mesmo tempo, a petrolífera americana Chevron chamou funcionários de volta à Venezuela após as férias e retomou as exportações de petróleo venezuelano para os EUA nesta segunda após uma pausa de quatro dias, segundo dados de navegação e uma fonte.

A Chevron é a única empresa autorizada por Washington a exportar petróleo venezuelano, isenta tanto do embargo quanto das sanções. Um petroleiro fretado pela empresa está agora transportando cerca de 300 mil barris de petróleo pesado venezuelano para a Costa do Golfo dos EUA.

A fluidez das operações da Chevron na Venezuela, que emergiu nos últimos anos como a principal parceira de joint-venture da PDVSA, em meio à profunda turbulência política do país, contrasta com a situação da empresa estatal.

As exportações da PDVSA haviam parado completamente na semana passada devido ao bloqueio, forçando-a a começar a cortar a produção no fim de semana. A empresa não tinha praticamente nenhum lugar para armazenar o petróleo após encher o armazenamento em terra e carregar navios com petróleo bruto.

Havia mais de 20 milhões de barris destinados à exportação presos em navios antes dessas partidas, segundo o TankerTrackers.com.

As exportações de petróleo são a principal fonte de receita da Venezuela. O regime, agora liderado por Delcy Rodríguez, precisa de dinheiro das exportações para financiar os gastos estatais e estabilizar o país.

Nesta segunda, a Assembleia Nacional da Venezuela reelegeu Jorge Rodríguez como seu presidente, enquanto sua irmã Delcy foi empossada como líder interina após a captura e a detenção de Maduro.

Trump disse a repórteres no domingo (4) que poderia ordenar outro ataque militar à Venezuela se as autoridades não cooperarem com os esforços dos EUA para abrir sua indústria petrolífera e interromper o tráfico de drogas.

Fonte: Folha de São Paulo

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