A ditadura venezuelana enviou o dirigente opositor Juan Pablo Guanipa para prisão domiciliar nesta terça-feira (10), um dia após voltar a detê-lo por supostamente violar as condições de uma breve liberdade condicional, afirmou seu filho.
“Ele está na minha casa em Maracaibo. Estamos aliviados em saber que minha família estará reunida em breve”, escreveu Ramón Guanipa na conta de seu pai na rede social X, agradecendo também ao governo dos Estados Unidos “pelo seu trabalho em prol da liberdade na Venezuela e de todos os presos políticos”.
“Meu pai continua injustamente preso, porque prisão domiciliar ainda é prisão, e exigimos sua plena liberdade e a liberdade de todos os presos políticos”, acrescentou Ramón.
Após nove meses de detenção sob acusações de conspiração, ele foi libertado no domingo (8). Durante sua soltura, que durou menos de 12 horas, ele percorreu Caracas em uma carreata, reuniu-se com familiares de presos políticos, entoou slogans e pediu novas eleições.
Pouco antes do amanhecer, foi detido novamente. Em nota divulgada nesta segunda, o Ministério Público da Venezuela, controlado pela ditadura, afirmou ter pedido a prisão domiciliar de Guanipa por um suposto descumprimento das condições da liberdade.
Muitos dos presos políticos libertados desde a captura de Nicolás Maduro pelos EUA estão proibidos de fazer pronunciamentos públicos. Ramón, porém, afirmou que o documento de soltura do pai não previa outras restrições, além da proibição de deixar o país. “Falar não é crime”, disse ele.
Guanipa é um aliado próximo de María Corina Machado, líder da oposição e vencedora do prêmio Nobel da Paz. “Essa é a prova de que não enfrentamos apenas um regime criminoso, mas um regime que tem horror à verdade, que teme o cidadão”, disse a líder a jornalistas em Washington.
Outros dirigentes próximos a María Corina também haviam sido soltos no domingo. A ONG Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos, verificou 35 novas solturas. Segundo seus dados, são cerca de 400 libertações desde 8 de janeiro, quando a líder interina Delcy Rodríguez anunciou um primeiro processo de solturas.
Guanipa foi um dos mais importantes dirigentes opositores presos na Venezuela. Ele estava detido desde 23 de maio de 2025, quando foi acusado de comandar uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados ao Parlamento.
Ele foi vice-presidente do Parlamento e governador eleito do estado de Zulia, mas se recusou a tomar posse perante uma Assembleia Constituinte instaurada por Maduro e foi destituído. Sua última aparição pública havia sido em 9 de janeiro de 2025 para acompanhar María Corina em um protesto.




