O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (25) que duas deputadas democratas muçulmanas, Ilhan Omar, de Minnesota, e Rashida Tlaib, de Michigan, deveriam ser “internadas” e enviadas de volta “para seus países de origem”, um dia após intervenções das duas durante seu discurso sobre o Estado da União.
Durante a fala de Trump nesta terça, Tlaib, uma americana de origem palestina, e Omar, uma americana de origem somali, criticaram o presidente por defender a política de imigração linha-dura de seu governo e suas ações de fiscalização.
Tanto Omar quanto Tlaib gritaram “você está matando americanos” para Trump durante o discurso, com Omar também chamando-o de “mentiroso”.
Em uma publicação na Truth Social, Trump disse que as duas congressistas “tinham os olhos esbugalhados e vermelhos de pessoas loucas, lunáticas, mentalmente perturbadas e doentes”.
“Francamente, parecem que deveriam ser internadas. Deveríamos mandá-las de volta para seus países de origem —o mais rápido possível”, acrescentou Trump.
Tanto Omar quanto Tlaib são cidadãs americanas.
O líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, classificou a retórica de Trump contra Tlaib e Omar de “xenófoba” e “vergonhosa”. Tlaib afirmou no X que os comentários de Trump mostram que “ele está em crise”.
O Conselho de Relações Americano-Islâmicas, um grupo de defesa dos direitos dos muçulmanos, também criticou os comentários de Trump. “É racista e intolerante dizer que duas parlamentares muçulmanas americanas deveriam ser enviadas para o país onde nasceram ou de onde vieram seus ancestrais, com base em suas críticas às mortes de americanos pelo ICE“, disse Edward Ahmed Mitchell, vice-diretor nacional do órgão.
A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Durante seu discurso de terça, Trump reiterou sua acusação de que as comunidades somalis nos EUA se envolveram em fraudes e afirmou que “piratas somalis” saquearam Minnesota. Seu governo usou suspeitas de fraude como justificativa para enviar agentes federais de imigração armados para o estado.
Grupos de direitos humanos afirmam que a repressão criou um ambiente de medo e que Trump usou casos isolados como desculpa para perseguir imigrantes. Eles também questionam a capacidade de Trump de combater as supostas fraudes, citando os indultos concedidos por ele a pessoas condenadas pelo mesmo tipo de crime no passado.




