O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (20) que está considerando um ataque militar limitado contra o Irã, mas sem entrar em detalhes.
Questionado por repórteres se estava avaliando uma ofensiva em menor escala para pressionar o Irã a fechar um acordo sobre seu programa nuclear, o republicano respondeu: “Acho que posso dizer que estou considerando”.
A informação havia sido adiantada pelo Wall Street Journal. O jornal publicou uma reportagem afirmando que há a possibilidade de uma ação mais focada, não tão avassaladora, para sinalizar aos iranianos que a hora de ceder na negociação e terminar seu programa nuclear é agora.
A declaração de Trump ocorre em meio a uma mobilização de poderio aéreo no Oriente Médio para pressionar Teerã, a maior desde a mesma invasão do Iraque. Trump não dá nenhum sinal de querer invadir o Irã por terra, uma proposição custosa e provavelmente fadada a mais um atoleiro militar que causa ojeriza à sua base de apoio.
Ao enviar dezenas de caças e aeronaves de ataque, e um segundo grupo de porta-aviões ao Oriente Médio, liderado pelo USS Gerald R. Ford e que deve chegar nos próximos dias, ele sinaliza uma decapitação de governo.
Os EUA querem o fim do regime islâmico que governa o Irã desde 1979, de forma francamente hostil aos interesses americanos e do maior aliado de Washington na região, Israel.
No caso de um ataque maior, para ter sucesso os EUA precisam não só matar a cúpula de um país com assento regular na ONU, no Brics e outros fóruns. Será necessário destruir ao máximo as capacidades da Guarda Revolucionária, a unidade pretoriana de defesa do regime e mais poderoso ente militar da teocracia.
Isso pode ser feito pelo ar, mas deixa dúvidas diversas em solo, particularmente sobre o eventual vácuo de poder. Uma ditadura militar com elementos da Guarda ou uma guerra civil não são descartadas, para não falar nas inevitáveis baixas civis entre a população que protestou contra os aiatolás e que Trump prometeu ajudar.
Há também a questão da retaliação. No ano passado, Israel foi eficaz em controlar os céus até Teerã, e talvez 90% dos quase 600 mísseis balísticos lançados contra si foram abatidos. Mas os que evadiram as defesas causaram mortes e estragos, além de exaurir estoques de munição antiaérea.
O Estado judeu já está em alerta e provavelmente participará de uma eventual guerra, de todo modo.
Em reação ao cerco militar, o Irã aposta suas fichas dissuasórias contra os EUA num dos mais famosos gargalos marítimos do mundo, o estreito de Hormuz. Ligando o golfo Pérsico ao oceano Índico, o estreito tem ao menos 16 instalações militares do país persa na sua margem e nas ilhas que controla na área, sendo Qeshm a principal.
Teerã voltou a propagandear o estrago que pode fazer por lá, rota de 20% da produção mundial de petróleo e gás —90% da exportação da gigante Arábia Saudita é transportada pelo estreito. O país persa fez exercício militar durante esta semana que incluiu disparos de mísseis de algumas de suas 131 lanchas rápidas e embarcações assemelhadas e o início de uma manobra com navios russos que deverá ser integrada por belonaves chinesas nos próximos dias.
No ano passado, a guerra de 12 dias do Estado judeu contra a teocracia, encerrada após a intervenção americana, degradou as capacidades iranianas, mas o regime seguiu firme.




