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HomeMundoTensão EUA-Irã: países retiram funcionários - 27/02/2026 - Mundo

Tensão EUA-Irã: países retiram funcionários – 27/02/2026 – Mundo

Os Estados Unidos recomendaram nesta sexta-feira (27) a saída de funcionários da embaixada em Israel, em meio a ameaças de um ataque ao Irã que pode levar a uma explosão de violência regional.

O anúncio ocorre um dia após uma terceira rodada de negociações entre iranianos e americanos sob mediação de Omã.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, viajará na segunda-feira (2) a Israel para conversas com as autoridades sobre as “prioridades regionais”, incluindo o Irã.

Em 19 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um ultimato de “dez a 15 dias” para decidir se recorreria à força.

Por ora, Washington realizou a maior mobilização militar em décadas na região, que inclui dois porta-aviões. Um deles é o USS Gerald Ford, o maior do mundo, que partiu de Creta na quinta-feira e deve chegar à costa israelense.

O Ministério das Relações Exteriores britânico também anunciou a transferência de parte de seu pessoal diplomático de Tel Aviv, onde funciona a embaixada do Reino Unido, para “outro local dentro de Israel”. Os britânicos também retiraram funcionários do Irã.

A China instou seus cidadãos, nesta sexta, a saírem do Irã “o mais rápido possível”.

Esse cenário de tensão tem precedentes recentes. Em junho de 2025, durante a curta guerra iniciada com uma ofensiva de Israel contra o Irã, Teerã respondeu com ataques em território israelense.

Com estes antecedentes, a embaixada americana em Jerusalém instou os funcionários governamentais “não essenciais” em Israel a deixar o país devido a “riscos de segurança” e recomendou que partissem “enquanto houver voos comerciais disponíveis”.

O jornal The New York Times informou nesta sexta que o embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, enviou um e-mail ao pessoal da embaixada afirmando que aqueles que desejassem partir deveriam “fazê-lo HOJE”.

O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha aconselhou “urgentemente” que seus cidadãos não viajem para Israel, ao endurecer suas recomendações de viagem diante das crescentes tensões no Oriente Médio.

“Viagens para Israel e Jerusalém Oriental são fortemente desaconselhadas”, disse o ministério em um comunicado publicado em seu site.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou nesta sexta que está alarmado com o risco de uma “escalada militar regional e suas consequências para a população civil”.

Em uma conversa telefônica com seu homólogo egípcio, Badr Abdelatty, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, pediu que os EUA abandonassem as “exigências excessivas” para alcançar um acordo.

Araghchi disse que “o sucesso neste caminho exige seriedade e realismo da outra parte, além de evitar qualquer erro de cálculo e exigências excessivas”.

O chefe da diplomacia iraniana não especificou a que demandas se referia, mas suas palavras atenuaram o otimismo anunciado após a terceira rodada de negociações realizada na quinta-feira em Omã.

No âmbito deste diálogo, os Estados Unidos fixaram como uma “linha vermelha” a proibição total do enriquecimento de urânio no Irã, que o considera um direito à energia nuclear civil.

A Agência Internacional de Energia Atômica instou nesta sexta-feira o Irã a cooperar “construtivamente” e “com a máxima urgência” em seu pedido de verificação de instalações nucleares, segundo um relatório confidencial visto pela AFP.

O governo de Trump quer incluir também no acordo a questão dos mísseis balísticos do Irã, vistos como uma ameaça existencial por seu aliado israelense.

Teerã se recusa a tratar deste assunto, e Rubio considerou que isso representa “um grande problema”.

No discurso sobre o Estado da União, na terça-feira (24) no Congresso, Donald Trump afirmou que o Irã já “desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa” e trabalha “para construir mísseis que em breve alcançarão os Estados Unidos”.

Segundo Rubio, os iranianos “não estão enriquecendo” no momento, “mas estão tentando chegar ao ponto em que finalmente conseguirão fazer”. Quanto à questão dos mísseis balísticos, Teerã afirma ter limitado o alcance de seus mísseis a 2.000 quilômetros.

Omã declarou, por sua vez, que houve “progressos significativos” durante os diálogos na quinta-feira.

Araghchi também relatou “progressos”. Segundo ele, foram abordados temas relativos ao programa nuclear iraniano e à suspensão das sanções, e afirmou que haverá uma nova rodada de negociações “muito em breve, talvez em menos de uma semana”.

Em janeiro, surgiram novas tensões entre Washington e Teerã, quando as autoridades iranianas reprimiram com violência os protestos que desafiaram o poder dos aiatolás na República Islâmica. Trump ameaçou intervir no país para “ajudar” o povo iraniano.

Fonte: Folha de São Paulo

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