spot_img
HomeMundo'Taurus já', pede Berlim em manifestações pela Ucrânia - 25/02/2026 - Mundo

‘Taurus já’, pede Berlim em manifestações pela Ucrânia – 25/02/2026 – Mundo

“Taurus Já”, “Liberem o Taurus”, “Forneçam os Taurus”. Se há quatro anos mais de 100 mil saíram às ruas de Berlim pedindo paz, um número bem menor de manifestantes fazia um pedido menos abstrato, na noite de terça-feira (24): o fornecimento de mísseis de cruzeiro para a Ucrânia acabar com a guerra.

Quatro manifestações convergiram para a Unter den Linden, a principal avenida da cidade, em direção ao Portão de Brandemburgo, pintado com luzes amarelas e azuis, as cores da bandeira ucraniana. No caminho, uma parada obrigatória, a embaixada russa, estava cercada de policiais. Lá, também obrigatório, um gritos preferidos da passeata ganhava força: “A Rússia é um Estado terrorista”.

Engrossavam o coro estudantes e expatriados da Geórgia, que também sentem seu país ameaçado após a eleição de um governo pró-Rússia, no fim de 2024. “Já passamos por todo esse terror, embora não na mesma escala da Ucrânia. Acredito, sinceramente, que a Ucrânia protege toda a Europa“, disse Rusudan Kaptanishvili, que está há 12 anos na Alemanha.

“Estão transformando a Geórgia em uma segunda Belarus. Acreditamos que, se a Ucrânia vencer, e quando a Ucrânia vencer, teremos mais poder, mais motivação para lutar contra o nosso governo também. Porque atualmente não está tão fácil”, afirmou a pesquisadora, empunhando uma bandeira de seu país.

Também expatriada na capital alemã, a ucraniana Anna Nekhoroshykh declarou temer uma negociação de paz que ceda territórios, como Donbass, para a Rússia. “Estou rezando para a guerra acabar, mas não sei se isso seria uma boa solução. Não gostaria de outra guerra acontecendo daqui a três anos”, contou a professora, que conseguiu o primeiro emprego em 2025.

Anna é beneficiária de um dos mais completos sistemas sociais de apoio aos refugiados da guerra. A Alemanha é o país que mais acolheu ucranianos desde o começo do conflito, em 2022, 1,3 milhão. Apenas a Polônia, com quase 1 milhão de refugiados, chega perto. O terceiro na lista é a Espanha, a nação mais liberal do momento em termos de imigração no continente, com quase 260 mil ucranianos recepcionados.

Segundo o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), 5,9 milhões de ucranianos deixaram o país, sendo que 5,4 milhões estão espalhados pela Europa. Outros 3,7 milhões foram obrigados a se deslocar internamente. Cerca de 10 milhões, no total, foram obrigados a deixar as próprias residências, quase um quarto da população do país antes da guerra.

A corrente de solidariedade estabelecida há quatro anos, porém, perde força, assim como as manifestações contra a guerra. Nesta terça, a estimativa da polícia falava em 5.000 pessoas.

Nesta quinta-feira (26), o Parlamento alemão discute alterações no sistema de apoio social montado para os ucranianos. Até aqui, refugiados da guerra tinham direito ao chamado “Bürgergeld”, uma versão local de renda básica.

“Sou grata por toda a ajuda, mas eles não podem nos apoiar para sempre”, comentou Anna. “São tempos difíceis para todos.”

Se a mudança proposta pelo governo Friedrich Merz for aprovada, os ucranianos passarão a receber a ajuda dedicada aos refugiados regulares. Em termos financeiros, € 455 no lugar de € 563, além de menores prazos de apoio e acolhimento. Item importante na Alemanha, o seguro regular de saúde é substituído por um esquema limitado de cuidados.

Cursos de adaptação e línguas já estão sendo cortados. Muitas profissões de nível médio ou superior, como enfermagem, demandam um nível mais alto de fluência no alemão.

A ala conservadora da coalizão de governo, da qual pertence a CDU, legenda do primeiro-ministro, um dos líderes europeus mais vocais contra Vladimir Putin, afirma que a generosidade alemã criou um fluxo maior de refugiados para o país. O argumento ecoa em parte a discussão que completou dez anos, em 2025, sobre a política de portas abertas aos que fugiam da guerra da Síria durante o governo de Angela Merkel.

“A Ucrânia deve garantir que seus jovens se dediquem ao próprio país, seguro e economicamente próspero, em vez de partirem para Alemanha, Polônia ou França, como estamos presenciando atualmente”, declarou Merz, há algumas semanas. Um relaxamento da lei marcial ucraniana, em 2025, que impedia a saída de jovens do país, teria intensificado o fluxo de refugiados.

Segundo dados do governo, o desemprego entre refugiados ucranianos, que era de 42,4% em outubro de 2024, caiu para 36,7% um ano depois. A situação é melhor em outros países, porque, diferentemente do que ocorre na Alemanha, os ucranianos estão sendo empregados em ocupações de baixa qualificação a despeito da formação.

Pesquisas, no entanto, contestam o quadro pintado pelos políticos. Para os ucranianos, o valor do salário seria quatro vezes mais importante do que os benefícios sociais.

“Se usarem o dinheiro economizado para mandar mais armas e recursos para a Ucrânia, tudo bem. Nem de longe será a pior coisa que o Bundestag já fez”, disse Rusudan.

Fonte: Folha de São Paulo

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -spot_img

Outras Notícias