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Síria: Aliados de Assad vivem luxo escondidos da Justiça – 03/01/2026 – Mundo

Os apartamentos no Four Seasons em Moscou oferecem salas de estar com lustres de cristal, vistas para o Kremlin e acesso a um concierge pronto para reservar qualquer coisa, desde estreias do Ballet Bolshoi até jatos particulares.

As residências, custando até US$ 13 mil por semana, são anunciadas como “perfeitas para reuniões familiares, festas de coquetel e eventos de negócios”.

Ou talvez, no caso de alguns dos criminosos de guerra mais procurados do mundo, para um início cinco estrelas da vida no exílio.

Por décadas, Bashar al-Assad e seus aliados torturaram e fizeram desaparecer centenas de milhares de pessoas na Síria. Com o poder aéreo russo, sua ditadura tentou suprimir um levante popular, que se transformou em 13 anos de profunda guerra civil.

Mas em dezembro de 2024, uma ofensiva relâmpago de rebeldes fez com que Assad e seu círculo mais íntimo fugissem para a Rússia, onde se reagruparam em um dos endereços mais elegantes de Moscou. As autoridades russas queriam todos em um só lugar para vigilância de segurança, segundo testemunhas e conhecidos dos presentes.

Maher al-Assad, 58, irmão de Bashar e chefe das temidas tropas de choque da Síria, a Quarta Divisão Blindada, foi visto por um ex-funcionário na academia do hotel murmurando sobre “a desgraça”. Outros ponderavam sobre seu futuro durante os cafés da manhã, recordaram três membros da comitiva do regime hospedada no hotel.

Uma investigação do jornal americano The New York Times localizou muitas das figuras de alto escalão do governo e militares ligadas aos capítulos mais mortíferos da história recente da Síria —incluindo cientistas que desenvolveram armas químicas e chefes de espionagem acusados de tortura— e descobriu novos detalhes sobre suas circunstâncias atuais e atividades recentes.

O jornal buscou entender o destino de 55 ex-líderes do regime que desapareceram quando Assad caiu e descobriu que muitos estão vivendo luxuosamente ou mantendo-se discretos em seu primeiro ano de exílio, e quase todos parecem ter escapado da justiça.

Houve festas de aniversário extravagantes para as filhas dos irmãos Assad em uma vila em Moscou e em um iate em Dubai, segundo parentes, amigos e postagens em redes sociais. O ex-chefe de espionagem Ali Mamlouk, 79, segundo duas pessoas próximas a ele, vive em um apartamento em Moscou às custas da Rússia e está se mantendo fora de vista, recusando-se a receber a maioria dos visitantes. Ghassan Bilal, 59, considerado um dos chefões do império de drogas do regime, também está em Moscou, mas sustenta o estilo de vida confortável de sua família no exterior, da Espanha a Dubai, segundo três ex-oficiais.

Muitos capangas de Assad tiveram uma chegada menos confortável. Eles usaram de suborno para conseguir lugar em aviões de carga lotados com destino a Moscou, e foram levados para acomodações militares. Jamil Hassan, 73, diretor de inteligência da Força Aérea acusado de liderar a tortura sistemática e execução de prisioneiros, estava entre eles, segundo três pessoas que dizem ter se encontrado com ele desde então.

Alguns se espalharam além da Rússia, nos Emirados Árabes Unidos e Líbano. Outros nunca deixaram a Síria e estão escondidos por lá.

Enquanto isso, as vítimas de mais de cinco décadas de regime da família Assad ficam se perguntando onde estão as pessoas por trás de algumas das piores atrocidades deste século —e se algum dia enfrentarão a justiça.

As 55 pessoas examinadas pelo New York Times eram homens com imenso poder, mas perfis públicos limitados. Eles tiveram décadas para aperfeiçoar a arte de obscurecer suas identidades com nomes falsos e passaportes comprados. Todos estão sob sanções internacionais; vários enfrentam mandados de prisão internacionais.

Para preencher as muitas lacunas sobre eles, a reportagem pesquisou vilas abandonadas do regime, vasculhou informações públicas na internet e consultou ativistas sírios e advogados que perseguem seus antigos opressores. Foram entrevistadas autoridades internacionais de aplicação da lei e ex-figuras do regime. Em alguns casos, eles foram confrontados face a face.

O esforço de reportagem identificou o paradeiro de metade dessas 55 pessoas. Apenas um que havia sido detido foi encontrado. Outros desapareceram ou deixaram poucos rastros.

Quase todos os entrevistados falaram sob condição de anonimato porque estavam envolvidos em esforços confidenciais para buscar justiça ou estavam preocupados com retaliações, de ex-figuras do regime ou daqueles que sofreram em suas mãos.

Os advogados e ativistas que trabalham para encontrar perpetradores da era Assad e responsabilizá-los dizem que são impedidos pela falta de vontade política. O novo governo sírio está focado em cimentar o controle do país. E alguns governos estrangeiros, dizem eles, relutam em entregar antigos aliados ou preferem usar os fugitivos como fontes de inteligência.

Farra de compras e habitação soviética

Para alguns membros da elite do regime, os primeiros meses em Moscou pareciam uma espécie de turismo de exílio.

Jamal Younes, 63, acusado de dar ordens diretas para atirar em manifestantes desarmados, foi visto andando de patinete ao redor do estádio nacional da Rússia em um vídeo que foi postado online e confirmado como autêntico por conhecidos de sua cidade natal.

O ex-ministro da defesa, Ali Abbas, 64, e o chefe do Estado-Maior militar, Abdul Karim Ibrahim, 62, ambos acusados de tortura e violência sexual durante a revolta síria, foram avistados por um antigo conhecido enquanto passeavam pelo reluzente shopping European Mall, de oito andares, em Moscou.

Kifah Moulhem, 64, segundo duas pessoas em contato com ele, vive em uma grande mansão em Moscou com seu cunhado, Ghassan Ismail, 65. Os dois ex-generais de inteligência são acusados de supervisionar a tortura e detenção de manifestantes.

Moulhem foi um dos poucos oficiais que o New York Times conseguiu contatar para comentários. Ele enviou uma longa refutação às acusações de crimes contra a humanidade. Quaisquer abusos do regime de Assad, argumentou ele, empalideciam em comparação com os crimes cometidos pelos novos líderes da Síria, que lideraram uma filial da Al Qaeda antes de seguirem um caminho mais moderado.

“Não se trata de esconder os crimes ou violações do antigo regime —mencione esses crimes com verdade e justiça— mas você realmente acredita que o antigo regime pode ser comparado à Al Qaeda?”, escreveu ele, acrescentando que casos documentados de tortura em massa e execuções em prisões como Sednaya foram forjados.

Quando perguntado sobre sua vida na Rússia, Moulhem disse apenas: “Vivemos como cidadãos normais.”

Para pessoas há muito acostumadas com privilégios e poder, o exílio russo tem suas indignidades.

Autoridades que antes silenciavam brutalmente seus opositores agora são os que estão sendo amordaçados. A Rússia exigiu proibições rigorosas sobre o uso de mídias sociais ou falar em público, disseram vários ex-oficiais e seus parentes. Protocolos de segurança restringem rigorosamente os movimentos de muitos altos funcionários, afirmaram.

As autoridades russas não responderam a perguntas sobre funcionários de Assad vivendo no país.

Uma realidade nova e ainda mais humilhante começou para mais de 1.200 oficiais sírios quando eles se apressaram —e às vezes pagaram subornos— para embarcar em jatos Iliushin com destino a Moscou a partir de uma base russa na costa da Síria. Ao chegar, pessoas que conversaram com eles disseram que os oficiais preencheram pedidos de asilo temporário que deixaram muitos com a sensação de que seu status na Rússia era precário.

Esses oficiais sírios não receberam o tratamento do Four Seasons. Foram enviados para instalações da era soviética, frequentemente com acomodações semelhantes a dormitórios de três a quatro pessoas por quarto, disseram quatro ex-oficiais. Eles reclamavam da comida russa e dos horários regimentados das refeições.

Embora estivessem juntos, às vezes acertavam contas antigas.

Em um incidente amplamente discutido em uma dessas acomodações em Moscou, alguns oficiais ressentidos espancaram e cuspiram em Asef al-Deker, 60, um comandante da polícia militar acusado de supervisionar a tortura de prisioneiros —e, por muitos de seus próprios subordinados, de extorsão. A história, descrita pelos quatro ex-oficiais, também foi confirmada por um assistente que ainda mantém contato com Deker.

Semanas após o exílio, várias pessoas em contato com os oficiais disseram que eles receberam uma escolha: sairem e viverem livremente com seu próprio dinheiro, ou permanecerem com subsídios estatais e serem distribuídos pela Rússia. Alguns que escolheram a última opção teriam acabado tão longe quanto a Sibéria.

Muitos comandantes de alto escalão, segundo colegas do regime, garantiram seus próprios apartamentos, frequentemente luxuosos.

Um que inicialmente não o fez foi Aous Aslan, 67, um general do Exército suspeito de supervisionar assassinatos em massa e repressões violentas contra civis.

Ele foi enviado para Kazan, cerca de 720 quilômetros a leste de Moscou, de acordo com três amigos e um colega oficial que disseram que ele lhes contou que não tinha economias com as quais contar.

Mas a vida humilde que lhe foi oferecida logo provocou uma mudança de atitude, disseram eles, e meses depois, Aslan reapareceu em um apartamento de milhões de dólares em Moscou.

“Ele tentou se fazer de pobre”, brincou um amigo em Damasco. “Mas não conseguiu manter a farsa. Agora ele está vivendo sua melhor vida.”

Gastos dos países do Golfo

Vários membros do regime disseram que os Emirados Árabes Unidos eram o refúgio preferido, devido ao idioma árabe compartilhado, clima quente e estilo de vida sofisticado.

Muitos altos funcionários sírios mantinham boas relações com sua liderança autocrática, que tem se mostrado disposta a receber alguns deles, embora com condições.

As autoridades emiráticas fizeram com que os líderes sírios em fuga assinassem um acordo comprometendo-se a não fazer declarações políticas, e também os instruíram a não usar redes sociais ou chamar atenção para si mesmos, segundo dois ex-funcionários sírios que aceitaram essas condições.

Autoridades emiráticas não responderam a perguntas sobre funcionários de Assad vivendo no país.

Entre aqueles que o New York Times rastreou nos Emirados está Mohammad al-Rahmoun, 68, ex-ministro do Interior e chefe da inteligência da Força Aérea acusado de supervisionar detenções em massa e execuções extrajudiciais.

Falamos com três pessoas que disseram ter se encontrado com Rahmoun nos Emirados Árabes Unidos. Pouco depois da queda do regime, contas de redes sociais verificadas pelo jornal americano também mostraram sua filha vendendo joias e seu filho abrindo uma oficina de reparo de carros de luxo em Dubai.

Vários empresários proeminentes envolvidos na gestão da riqueza da família Assad vivem lá livremente, frequentando restaurantes e cafés de luxo, segundo vários empresários sírios e ex-funcionários.

Mas autoridades dos Emirados pediram que altas figuras do governo e militares não permanecessem no país, disseram essas mesmas pessoas —embora tenham afirmado que esses ex-funcionários ainda podiam investir no país.

Um desses casos é o do ex-general Ghassan Bilal, segundo dois colegas e um amigo da família. Sanções dos Estados Unidos e da Europa o acusam de facilitar o tráfico de captagon, uma anfetamina altamente viciante que estima-se ter rendido mais de US$ 5 bilhões para o regime.

Em Damasco, o New York Times visitou duas propriedades extensas que vizinhos disseram pertencer a Bilal —uma delas apresentava piscinas, um banho turco, um cinema ao ar livre e fotos de família nas paredes.

A França emitiu um mandado de prisão para Bilal em agosto, acusando-o e a outros seis funcionários de ordenarem o ataque a civis durante um brutal cerco à cidade de Homs, em 2012. Os investigadores também os acusaram de orquestrar o bombardeio de 2012 que matou o fotógrafo francês Rémi Ochlik e a correspondente de guerra americana Marie Colvin.

No entanto, segundo dois colegas, o ex-general investiu em imóveis nos Emirados desde a queda do regime, incluindo duas vilas em The Palm, um arquipélago artificial repleto de hotéis e residências luxuosas.

Sua esposa e filhos vivem parte do ano na Espanha, onde a família possui propriedades, de acordo com os dois colegas e dois amigos da família, que afirmaram que a família mantém esse arranjo há muitos anos. A filha de Bilal frequenta uma universidade privada ao norte de Madri, segundo os amigos da família, aparentemente publica em uma conta de mídia social sobre seus estudos lá e foi vista por um jornalista do New York Times que visitou o campus.

O Ministério de Relações Exteriores da Espanha recusou-se a comentar, dizendo que “não pode fornecer dados sobre indivíduos específicos”.

Outro general, Yassin Dahi, 64, enfrentou problemas de saúde e financeiros em Dubai, segundo uma de suas filhas.

Dahi, que se aposentou antes da queda do regime, chefiou a Divisão 235 da Diretoria de Inteligência Militar em Damasco —mais conhecida entre os sírios como a temida “Divisão Palestina”, notória por tortura sistemática e desaparecimentos forçados.

Dahi esperou dois dias por um voo de retirada russo, mas, sofrendo de um problema cardíaco e temendo por sua segurança, optou por se juntar à sua família em Dubai com um visto de turista que agora expirou, disse-nos uma de suas filhas.

Temendo a deportação, ele não conseguiu buscar tratamento em nenhum hospital e está “quase sem dinheiro”, disse ela.

Dahi tem medo de retornar à Síria, disse ela, em parte porque um genro, engenheiro no palácio presidencial, foi morto em um suposto linchamento.

Perseguindo fantasmas

Existe outra categoria de ex-funcionários do regime: aqueles que nunca fugiram. Alguns estão escondidos. Pelo menos um está sob custódia. Outros estão escondidos à vista de todos.

Um general que estaria na Síria é Issam Hallaq. Ele supervisionou a Força Aérea da Síria de 2010 a outubro de 2012, o período em que o regime de Assad começou a usar ataques aéreos contra seu próprio povo para suprimir a revolta.

Após a queda do regime, Hallaq e vários funcionários aposentados formaram um comitê de veteranos e procuraram trabalhar com os novos líderes da Síria. Eles ofereceram seu conhecimento técnico em assuntos como manutenção de tanques e aeronaves ao nascente Ministério da Defesa, de acordo com três colegas.

A colaboração foi de curta duração. Meses depois, segundo eles, o novo governo decidiu trabalhar apenas com —e fornecer pensões para— oficiais que se aposentaram antes do início do levante popular do país em 2011.

Os colegas disseram que Hallaq agora está indigente e se mantém fora de vista em seu apartamento em Damasco, temendo que possa ser preso. Ele recusou, por meio de um intermediário, ser entrevistado.

Dos 55 membros do regime que investigamos, descobrimos apenas um que parecia ter sido detido: Tahir Khalil, 70, que como ex-chefe da diretoria de artilharia e mísseis supervisionou armas químicas e outros ataques a áreas civis, de acordo com a União Europeia.

Por anos, ele foi um fantasma —seu rosto e detalhes biográficos praticamente desconhecidos do público. Mas encontramos sua foto, data de nascimento e cidade natal em arquivos de funcionários do governo.

Essas descobertas nos levaram a Safita, local de nascimento de Khalil, cerca de 145 quilômetros a noroeste de Damasco. Lá, um oficial de segurança local, que forneceu apenas seu nome de guerra, disse que Khalil havia sido detido em fevereiro após inicialmente tentar passar despercebido se apresentando como um aposentado.

O oficial de segurança compartilhou uma foto de Khalil sob custódia e outros detalhes que confirmavam sua versão, e disse que ele está sendo mantido preso em Damasco.

O governo sírio não divulgou a detenção de Khalil —um sinal, talvez, de que ainda está lutando para decidir como lidar com tais casos.

Consciência limpa

Aninhado no coração de um bairro histórico de Damasco, coberto por trepadeiras floridas, está um elegante edifício de pedra familiar para muitos sírios, cenário de uma popular novela recente.

Mas poucos sabem que também é a casa de Amr al-Armanazi, 81, ex-diretor do centro de pesquisa que desenvolveu o programa de armas químicas da Síria. Ele se aposentou em 2021, aparentemente com conforto.

Ele atendeu à porta em seu roupão, convidando um jornalista do New York Times para entrar em um apartamento de piso de mármore coberto com tapetes orientais, pronto para discutir qualquer coisa, desde sua história de vida até a história da Síria —exceto o trabalho que levou 33 países a proibirem sua entrada.

De acordo com sanções americanas, europeias e britânicas, o Armanazi desempenhou um papel fundamental na produção de armas químicas utilizadas contra civis sírios.

Ele se submeteu a interrogatório pela agência da ONU responsável por fazer cumprir a proibição internacional de armas químicas, segundo dois investigadores da ONU que foram informados da sessão. Mas eles disseram que ele não foi questionado sobre possíveis crimes de guerra.

Não está claro se as autoridades sírias interrogaram Armanazi, que ingressou no conselho de curadores de uma universidade síria em julho, de acordo com uma publicação da instituição no Facebook.

Armanazi está entre vários casos de importantes funcionários da era Assad que parecem estar livres na Síria, sem esclarecimento oficial sobre se foram inocentados ou fizeram acordos para cooperar em troca de clemência.

O Ministério da Informação sírio afirmou que o governo não ofereceu imunidade a figuras do regime. Não respondeu a múltiplos pedidos de mais informações sobre a situação de figuras de alto escalão do regime Assad ou investigações sobre seus crimes.

Dois funcionários sírios, que insistiram no anonimato porque não estão autorizados a falar publicamente em nome do governo, disseram que a prioridade do governo era levar à justiça pessoas que ordenaram ou cometeram ataques, não cientistas que os possibilitaram.

Mas Armanazi “foi muito mais do que um burocrata”, disse Nidal Shikhani, diretor do Centro de Documentação de Violações Químicas da Síria, bem como da Same Justice, que pesquisa abusos de direitos humanos. Ele disse que Armanazi foi o “arquiteto-chefe do centro de pesquisa —tanto de suas aspirações científicas quanto de seus legados mais sinistros.”

Durante duas visitas à sua casa, o homem de 81 anos repetidamente se recusou a falar sobre esse passado. Mas ele fez questão de insistir em algo que quase todos os ex-funcionários do regime contatados pelo New York Times fizeram.

Sua consciência, ele disse, estava limpa.


Erika Solomon
, Christiaan Triebert
, Haley Willis
, Neil Collier
, Danny Makki
e Ahmad Mhidi

Fonte: Folha de São Paulo

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