Investigadores da polícia estavam vigiando o histórico cemitério Mount Moriah, no sudoeste da Filadélfia, nos Estados Unidos, quando o suspeito finalmente apareceu carregando um pé de cabra e um saco de estopa.
Durante meses, mausoléus no cemitério, alguns com mais de cem anos, estavam sendo saqueados no meio da noite, segundo a polícia. Finalmente, os agentes acreditavam ter encontrado o perpetrador. Antes de prenderem o suspeito, identificado pela polícia como Jonathan Gerlach, a polícia disse que conseguiu ver diversos ossos e crânios no banco traseiro do carro dele.
O promotor do condado de Delaware, Tanner Rouse, afirmou na quinta-feira (8) que não era a primeira vez que Gerlach, 34, havia arrombado túmulos na área. Os investigadores escreveram em uma declaração juramentada que, quando revistaram a casa do suspeito, encontraram mais de cem “esqueletos humanos”, incluindo crânios e mãos e pés mumificados em prateleiras, alguns dos quais tinham 200 anos.
Esses roubos aconteceram “sob o manto da escuridão”, disse Rouse. “Esse cara fez tudo ao seu alcance para roubar túmulos secreta e silenciosamente. Mount Moriah fez tudo o que pôde para impedi-lo de fazer isso. Mas, como você pode imaginar, um cemitério desse tamanho, é muito difícil.” O local tem 200 acres, ou cerca de 800 mil m², o equivalente a mais de cem campos de futebol.
Gerlach foi acusado de 574 crimes, incluindo cem acusações de abuso de cadáver, 26 acusações de arrombamento e dezenas mais de profanação de monumento público, invasão e roubo, de acordo com documentos judiciais. Ele está detido sob fiança de US$ 1 milhão na prisão do condado de Delaware. Um advogado de Gerlach não pôde ser contatado pelo Washington Post para comentar.
A polícia afirmou que Gerlach admitiu ter roubado aproximadamente 30 conjuntos de restos humanos do cemitério Mount Moriah, um local que estima-se conter 200 mil túmulos, incluindo veteranos da Guerra Civil e figuras históricas como Betsy Ross, que muitos acreditam ser responsável por produzir a primeira bandeira americana.
Rouse disse que a cena macabra que a polícia encontrou quando revistou a casa de Gerlach era diferente de tudo o que eles já haviam visto antes. “Os detetives entraram em um filme de terror que ganhou vida”, disse ele.
Esses restos mortais incluíam os de um bebê de poucos meses de idade e um cadáver que ainda tinha seu marca-passo conectado. A polícia encontrou os corpos em vários estados de exibição: alguns estavam pendurados, disse Rouse, enquanto outros estavam “montados em pedaços, alguns eram apenas crânios em uma prateleira”.
Rouse acrescentou que os investigadores tentam determinar o que Gerlach estava fazendo com esses cadávers e esqueletos. De acordo com a declaração juramentada, Gerlach declarou à polícia que vendeu alguns desses restos mortais online, mas a grande maioria estava guardada no porão de sua casa em Ephrata, na Pensilvânia, uma cidade a pouco mais de 100 km a oeste do cemitério Mount Moriah.
Rouse disse que entre novembro e janeiro, Gerlach havia profanado 26 mausoléus diferentes e locais de sepultamento abaixo da terra. A polícia recebeu sua primeira chamada para investigar um arrombamento no local no dia 7 de novembro, segundo o documento judicial. Um mausoléu havia sido invadido, seu piso de mármore, destruído, e uma das criptas abaixo, que abrigava o corpo de uma jovem nascida em 1854, foi encontrada vazia.
No final daquele mês, ainda segundo o documento, a polícia respondeu a outro arrombamento de um mausoléu diferente no mesmo cemitério, onde várias criptas foram danificadas e outro conjunto de restos humanos foi relatado como desaparecido. Durante dezembro, vários outros mausoléus e criptas subterrâneas foram alvo de ações semelhantes, segundo a polícia.
Em 23 de dezembro, agentes responderam a uma denúncia de um homem que disse à polícia que havia estado em contato com o irmão e a cunhada de Gerlach, instando as autoridades a investigarem o suspeito por relação com os roubos de mausoléus.
O informante disse que conhecia alguém que tinha visto um cadáver “parcialmente decomposto” pendurado no porão de Gerlach, mas que tinha medo de contar à polícia. Ele forneceu às autoridades a página do Instagram de Gerlach, que supostamente seguia contas dedicadas à taxidermia e coleção de esqueletos. O informante também afirmou acreditar que Gerlach havia mencionado visitar Chicago com o propósito de “vender um crânio humano”.
A declaração afirmava que a polícia conseguiu rastrear o veículo e o celular de Gerlach, e descobriram que ambos foram usados na área do cemitério durante as datas dos arrombamentos. Na noite de terça-feira, investigadores vigiando a área observaram Gerlach e seu carro, que teria “numerosos ossos e crânios no banco traseiro”, estacionado fora do cemitério, segundo documento judicial.
Depois de ser confrontado pelas autoridades no cemitério, Gerlach mostrou aos investigadores como ele abriu a sepultura com o pé de cabra. Os investigadores afirmam que ele admitiu ter roubado cerca de 30 conjuntos de restos humanos daquele cemitério.
A polícia também encontrou um depósito supostamente pertencente a Gerlach e executou um mandado de busca na quinta-feira. Os agentes encontraram mais oito restos mortais, “partes diversas de corpos” e joias e roupas antigas que acredita-se terem sido removidas de túmulos.
O chefe do Departamento de Polícia de Yeadon Borough, Henry Giammarco Jr., disse em uma entrevista coletiva na quinta-feira que o caso era “a coisa mais horrível” que ele já tinha visto em seus 30 anos de trabalho.
“Todos nós temos entes queridos que faleceram. ‘Descanse em paz’ é descanse em paz”, disse ele. “Isso é definitivamente algo que parte seu coração.”




