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Paramilitar morre em protestos no Irã, diz mídia estatal – 01/01/2026 – Mundo

Um paramilitar foi morto no Irã na noite desta quarta-feira (31), após dias de manifestações contra a alta inflação, na mais significativa onda de protestos no país desde grandes mobilizações nacionais ocorridas há três anos. A informação foi confirmada pela televisão estatal nesta quinta-feira (1º).

A mídia estatal afirmou que a pessoa morta era integrante da milícia paramilitar Basij, frequentemente mobilizada para reprimir protestos, e a identificou como Amirhossam Khodayari Fard, 21. A Reuters não conseguiu confirmar a informação de forma independente.

O incidente em Kuhdasht, na província de Lorestan, marca uma escalada nos protestos que se espalharam pelo país desde que comerciantes iniciaram manifestações no domingo (28) contra a inflação e grandes oscilações do câmbio.

Protestos ocorreram nesta quinta em Marvdasht, na província de Fars, informou o site de notícias ativista Hrana, e o grupo de direitos Hengaw afirmou que manifestantes foram detidos na quarta-feira nas províncias de Kermanshah, Cuzistão e Hamedan.

Pressão sobre o regime

Os episódios ocorrem em um momento delicado para o regime de Teerã, sob impacto de sanções ocidentais em uma economia com alta inflação e após ataques aéreos israelenses e americanos, em junho, contra a infraestrutura nuclear do país e sua liderança militar.

Teerã respondeu aos protestos com uma oferta de diálogo, uma abordagem mais conciliatória do que a adotada em momentos anteriores de agitação social, embora ativistas também tenham relatado policiais em grandes números nas ruas.

A porta-voz do regime, Fatemeh Mohajerani, disse que as autoridades realizariam um diálogo direto com representantes de sindicatos e comerciantes, sem fornecer detalhes.

A agência de notícias ativista Hrana afirmou na quarta-feira à noite que havia forte presença de forças de segurança nas cidades, com prisões, tiros e confrontos em algumas áreas. A mídia estatal disse que estudantes foram detidos e depois liberados durante as manifestações.

O Basij é uma força paramilitar voluntária leal ao líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e afiliada à Guarda Revolucionária Iraniana, que afirmou em comunicado que 13 membros da milícia ficaram feridos.

Muitos iranianos contestaram o relato das autoridades sobre o incidente nas redes sociais, e um vídeo amplamente compartilhado parece mostrar manifestantes tentando colocar uma pessoa ferida em uma ambulância. A Reuters não conseguiu verificar o conteúdo.

O comunicado da Guarda Revolucionária acusou os envolvidos nos protestos em Kuhdasht de “aproveitar-se da atmosfera de protestos populares”.

Comerciantes, lojistas e estudantes de diferentes universidades iranianas vêm se manifestando há dias e fechando grandes bazares. O regime paralisou parte do país na quarta-feira ao declarar feriado devido ao clima frio.

As autoridades reprimiram nos últimos anos protestos ligados a preços altos, uma forte seca que atinge o país, direitos das mulheres e liberdades políticas, com medidas de segurança rigorosas e prisões em massa.

Em resposta incomum aos protestos mais recentes, o presidente do país, Masoud Pezeshkian, disse ter pedido ao ministro do Interior que ouvisse as “demandas legítimas” dos manifestantes.

A economia do Irã enfrenta dificuldades há anos em razão de sanções dos EUA e de países ocidentais relativas ao programa nuclear de Teerã. Tensões regionais levaram a uma guerra de 12 dias com Israel em junho, pressionando ainda mais as finanças do país.

O rial iraniano perdeu cerca de metade de seu valor frente ao dólar em 2025, com a inflação chegando a 42,5% em dezembro.

Fonte: Folha de São Paulo

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