O Paquistão e o Afeganistão trocaram ataques e bombardeios que deixaram cerca de 60 mortos nesta quinta-feira (26), e o ministro da Defesa de Islamabad, Khawaja Asif, declarou “guerra aberta” contra o Talibã afegão. A Força Aérea paquistanesa bombardeou as cidades de Cabul e Kandahar como retaliação a ataques do Afeganistão na fronteira entre os dois países da Ásia.
Essas ações, por sua vez, foram uma resposta à decisão do governo paquistanês de agir contra militantes islâmicos que realizam atentados no Paquistão vindos de bases em território afegão, de acordo com o governo em Islamabad. Cabul nega dar refúgio a essas facções.
“Depois dos ataques aéreos contra Kabul, Kandahar e outras províncias, realizamos operações de represália em grande escala contra posições de soldados paquistaneses”, disse na quinta o porta voz do Talibã Zabihullah Mujahid. Segundo ele, 40 militares inimigos foram mortos.
Mais tarde, Asif, o ministro da Defesa do Paquistão, escreveu no X: “Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é uma guerra aberta entre nós e vocês [o Talibã]”. Autoridades paquistanesas ouvidas sob condição de anonimato dizem que 22 membros do Talibã foram mortos e que vários drones foram derrubados.
Testemunhas ouvidas pela agência de notícias Reuters afirmam que soldados dos dois países realizam escaramuças no noroeste do Paquistão, uma região montanhosa e de difícil acesso.
A crise tem sua origem no grupo Tehreek-e-Taliban (TTP) do Paquistão, uma facção acusada por Islamabad de realizar ataques terroristas na região do Waziristão. O TTP busca combater o Estado paquistanês e impor a lei islâmica sobre o território.




