Há 70 anos, a costureira Rosa Parks se recusou a ceder seu lugar a um homem branco quando viajava em um ônibus na cidade de Montgomery, no Alabama (EUA). Leis de segregação racial vigoravam no estado, e o ato resultou em prisão. Começava ali o boicote da comunidade negra ao transporte público, que só terminou no fim de 1956.
O GMC TDH-3610 foi o coadjuvante do episódio que impulsionou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Produzido pela General Motors em 1948, o coletivo de 36 lugares circulou até meados da década de 1970, quando foi aposentado por tempo de serviço.
Coube à concorrente Ford resgatá-lo e restaurá-lo. Hoje, o ônibus está exposto no Henry Ford Museum of American Innovation. Possivelmente seu estado atual é melhor do que naquele dia 1º de dezembro de 1955, quando Rosa Parks foi presa enquanto retornava para casa após um dia trabalho.
O acesso à cabine é facilitado por uma escada instalada junto à porta traseira do veículo. Os bancos verde musgo e os cromados dos apoios para as mãos estão como novos, bem como a pintura externa.
Após sair de circulação, o ônibus número 2857 foi comprado por Roy H. Summerford, morador de Montgomery, segundo os registros do museu.
” Quando Summerford faleceu, o ônibus passou a ser propriedade de sua filha e genro, Vivian e Donnie Williams. Embora os Williams soubessem que aquele ônibus havia sido identificado como o de Rosa Parks, eles não tinham documentos para comprovar”, diz o material divulgado pelo Henry Ford Museum.
A busca por registros que confirmassem a autenticidade do veículo foi conduzida por Robert Lifson, da casa de leilões online Mastronet. Na virada dos anos 1990 para os 2000, ele encontrou um álbum de recortes que trazia a resposta.
Eram reportagens que foram guardadas pelo gerente da rodoviária de Montgomery nos anos 1950, Charles H. Cummings. Um dos textos sobre o boicote indicava o número do ônibus e o nome de seu motorista na época, James Blake.
Cummings já havia vivenciado outra situação semelhante, o que deve ter ajudado a enxergar a importância do que estava ocorrendo no Alabama e iniciar seu arquivo de recorte. Em março de 1955, a estudante Claudette Colvin foi a primeira a se recusar a ceder seu lugar para um homem branco no transporte público.
O GMC 1948 em que Rosa Parks estava foi a leilão em outubro de 2001. A equipe do museu da Ford deu um lance de US$ 492 mil (R$ 2,6 milhões) e arrematou o veículo. Segundo o relato dos compradores, não havia motor e faltavam várias janelas. Além dos pontos de ferrugem por toda a carroceria, a pintura estava deteriorada.
Em setembro de 2002, o Comitê Presidencial de Artes e Humanidades dos EUA anunciou que apoiaria a restauração. O custo total do trabalho não foi revelado, mas apenas um dos aportes somou o equivalente a R$ 1,1 milhão.
Desde 2013, o ônibus que é parte da história americana integra a mostra permanente do Henry Ford Museum of American Innovation.
O jornalista viajou a convite da Ford




