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Novo correspondente da Globo em Pequim é boa notícia – 20/02/2026 – Igor Patrick

A Rede Globo anunciou nesta semana que está realocando o repórter Felipe Santana como novo correspondente do principal canal de TV brasileiro na China. Felipe vai se juntar a um crescente número de correspondentes de veículos brasileiros com presença fixa na segunda maior economia do mundo, somando-se a profissionais de Brasil247, UOL, O Globo e da própria Folha.

Demorou, mas parece que a imprensa tradicional brasileira finalmente está acordando para a necessidade de ter alguém baseado em Pequim. É uma situação radicalmente diferente do cenário quando assumi este espaço no jornal e iniciei minhas colunas falando sobre o vácuo de conteúdo na China, em um período em que o país ainda enfrentava a política de Covid Zero e a maior parte do que líamos vinha de fontes estrangeiras.

Manter correspondentes no exterior é um processo dispendioso e que raramente se paga. Os salários costumam ser em dólar e, no caso da China, há barreiras próprias de um sistema que limita o acesso à informação e vê a imprensa estrangeira com desconfiança. Soma-se a isso a enorme muralha linguística que nem todo mundo está disposto a transpor, dada a dedicação necessária para uma tarefa árdua e muito lenta.

É com alegria, então, que recebo a notícia do novo cargo de Felipe, um excelente repórter que já no ano passado tinha brindado o Brasil com uma série sobre a China exibida no Fantástico (com seus problemas aqui e ali, é verdade, mas muito rica em conteúdo), e que agora vai poder se dedicar a temas que impactam significativamente a vida do brasileiro.

Não custa lembrar que, enquanto Manaus se asfixiava na pandemia, era Marcelo Ninio (ex-Folha, atual correspondente do Globo em Pequim) quem estava na sala de imprensa do Ministério de Relações Exteriores em Pequim todos os dias com perguntas frequentes acerca do envio de vacinas Coronavac para o estado de São Paulo. De forma semelhante, coube a Nelson de Sá, agora no UOL, a tarefa de representar não apenas o Brasil, mas a América Latina na coletiva de imprensa pós-Duas Sessões ano passado, quando reportava para a Folha.

O olhar brasileiro foi e seguirá sendo essencial para criar uma consciência coletiva sobre nossas prioridades no relacionamento com este país asiático. Não nos faltam temas tão interessantes quanto urgentes a serem abordados pelos meus colegas brasileiros, muitos destes completamente ignorados pela mídia anglófona —ou alguém acha que o New York Times vai dedicar mais de duas linhas escrevendo sobre o impacto das cotas chinesas de importação de carne bovina nos preços domésticos no Brasil?

Nossos laços com a China são muito recentes, ainda estão na sua infância. Enquanto Pequim e Xangai eram invadidas por potências europeias ou pelos Estados Unidos, estávamos muito ocupados ainda tentando entender o que era o nosso próprio país para pensar em qualquer engajamento relevante com os chineses. Na ditadura, a China só se tornou uma opção (como aliás foi o caso de vários outros regimes autoritários latinos) quando ficou claro que o sistema de governo ruía e a opinião internacional acerca das atrocidades cometidas pelos milicos começava a virar.

Este já não é mais o caso, e hoje temos uma troca comercial bastante significativa que vai além de soja e petróleo. O Brasil está ativamente engajado em fóruns internacionais ao lado dos chineses, liderando iniciativas tão ambiciosas quanto a mediação de paz na Ucrânia. Faltava nosso olhar. Felizmente parece que, aos poucos, isso vai deixar de ser um problema.

Toda sorte ao Felipe e que venham mais reportagens sobre a China diariamente.


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Fonte: Folha de São Paulo

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