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Morte de cubano preso por ICE foi homicídio, diz autópsia – 22/01/2026 – Mundo

A morte de um imigrante cubano em um centro de detenção nos Estados Unidos foi classificada como homicídio, de acordo com um relatório de autópsia divulgado na quarta-feira (21).

O detento, Geraldo Lunas Campos, 55, ficou inconsciente enquanto estava fisicamente contido por agentes em 3 de janeiro em El Paso, no estado do Texas. Ele estava na instalação do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega, na sigla em inglês), chamada Camp East Montana, disse o relatório. Equipes médicas de emergência tentaram reanimá-lo, mas ele foi declarado morto no local.

A autópsia listou a causa da morte como “asfixia devido à compressão do pescoço e do tronco”. O relatório também descreveu ferimentos que Lunas Campos havia sofrido na cabeça e no pescoço, incluindo vasos sanguíneos rompidos na parte frontal e lateral do pescoço, bem como nas pálpebras.

A determinação pelo escritório do médico legista não indica necessariamente culpabilidade criminal. É uma classificação de como uma pessoa morreu, não uma determinação legal de culpa.

A morte do cubano foi revelada pelo jornal Washington Post na semana passada e trouxe novas cobranças em relação às condições dos centros de imigração. A família de Lunas Campos afirmou que ele foi morto pelos guardas da instalação, citando uma testemunha que disse ter visto guardas estrangulando-o até a morte.

“Ele estava sendo abusado, espancado e estrangulado até a morte”, disse Jeanette Pagan Lopez, mãe de dois dos filhos de Lunas Campos, ao The New York Times na semana passada. Nesta quarta, ela afirmou ainda não ter visto o relatório da autópsia.

Autoridades federais dão outra versão sobre a morte do imigrante. Em um comunicado distribuído em 9 de janeiro, elas afirmam que o cubano morreu em 3 de janeiro após problemas médicos. Depois que o caso foi publicado pela imprensa, passaram a descrever a morte como suicídio.

Em uma declaração por e-mail na quarta-feira, um funcionário do Departamento de Segurança Interna afirmou novamente que Lunas Campos havia tentado suicídio e “resistido violentamente à equipe de segurança” que tentou salvá-lo. O departamento não respondeu a perguntas sobre a autópsia.

O Escritório do Médico Legista do Condado de El Paso divulgou também um relatório toxicológico, que dizia que Lunas Campos tinha histórico de transtorno bipolar e ansiedade. O relatório identificou a presença de trazodona e hidroxizina no corpo —os dois medicamentos podem ser usados para tratar depressão e ansiedade.

Na terça-feira (20), a família de Lunas Campos pediu a um juiz federal para impedir a deportação de dois indivíduos que, segundo eles, testemunharam a morte ou os momentos que a antecederam. Os familiares disseram em petição enviada à Justiça que um detento havia visto guardas estrangulando o imigrante até a morte, e que outro o vira lutar com os guardas antes de morrer.

Ambos receberam avisos de deportação. Os filhos de Lunas Campos pediram ao tribunal que interrompesse as remoções para que os imigrantes possam testemunhar no processo que a família deve mover contra o Estado.

Lunas Campos foi preso em julho de 2025 na cidade de Rochester, em Nova York, e foi transferido para a instalação de El Paso em setembro. Ele havia sido condenado por pelo menos 10 crimes, incluindo posse criminal de arma, direção imprudente e furto, desde que entrou nos Estados Unidos em 1996, disseram as autoridades.

O cubano é uma das três pessoas que morreram sob custódia no Camp East Montana desde que a instalação foi aberta em agosto na base militar de Fort Bliss em El Paso. Em 3 de dezembro, Francisco Gaspar-Andres, 48, da Guatemala, morreu cerca de duas semanas após ser internado em um hospital da cidade, disseram as autoridades. Um relatório de autópsia em seu caso diz que ele morreu de complicações de doença hepática relacionada ao álcool.

Em 14 de janeiro, Victor Manuel Diaz, 36, da Nicarágua, morreu de um “suposto suicídio”, segundo autoridades federais. A causa oficial da morte está sob investigação. A autópsia de Diaz está sendo realizada no Centro Médico do Exército William Beaumont, não no escritório do médico legista, de acordo com Tricia McLaughlin, uma porta-voz do Departamento de Segurança Interna.

Fonte: Folha de São Paulo

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