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Moradores de Teerã relatam pânico na capital – 28/02/2026 – Mundo

No momento em que os iranianos começavam sua semana de trabalho na manhã de sábado, ataques dos Estados Unidos e de Israel levaram moradores de Teerã em pânico às ruas e fizeram pais correrem de volta às escolas onde tinham acabado de deixar seus filhos.

O caos e a incerteza se instalaram enquanto explosões atingiam a densamente povoada capital do Irã, segundo testemunhas que falaram ao The New York Times.

Ali, um empresário de Teerã, disse em mensagem de texto que estava sentado em seu escritório com vários funcionários quando ouviram duas explosões junto com caças cortando o céu. Os funcionários saíram correndo e gritando do prédio, disse ele. Assim como vários outros moradores que falaram ao Times, ele pediu para não ser identificado pelo nome completo por temer por sua segurança.

Do arborizado e sofisticado bairro de Mirdamad, o morador Hamidreza Zand descreveu ter visto pelo menos dez caças sobrevoando a região enquanto moradores corriam para as ruas e alguns motoristas abandonavam carros em vias congestionadas pelo trânsito. Com sirenes de ambulância soando ao fundo, outros moradores corriam para buscar seus filhos na escola.

“Corri para a escola para pegar minha filha no ensino fundamental. As meninas estavam escondidas debaixo das escadas e chorando”, disse Ali Zeinalipoor, com quem um repórter do Times conseguiu falar pelo aplicativo de mídia social Clubhouse. “A diretora não sabia o que tinha acontecido, todo mundo estava muito assustado.”

Do telhado de seu apartamento no bairro de Velenjak, no norte de Teerã, Golshan Fathi descreveu ter visto uma segunda leva de caças.

“As pessoas estão no telhado olhando para o céu, apontando para baixo. Dá para ouvir mulheres gritando. Alguns dos meus vizinhos estão correndo para seus carros”, disse. “Parece que estamos em um filme.”

Na área de Pasdaran, onde está localizado um grande complexo pertencente à Guarda Revolucionária do Irã, moradores ouviram múltiplas explosões que fizeram suas janelas tremerem.

“Meus filhos estão chorando e com medo; estamos amontoados no banheiro. Não sabemos o que fazer. Isso é aterrorizante”, escreveu Esfandiar, um engenheiro que mora na área, em mensagem de texto.

À medida que relatos de explosões atingindo outras cidades pelo Irã foram surgindo na mídia local, as telecomunicações começaram a falhar. Uma moradora chamada Mahsa disse que estava fugindo de Pasdaran sem conseguir contatar seus familiares para dizer para onde estava indo.

Quando Israel lançou ataques surpresa contra o Irã em junho passado, mirou principalmente instalações militares e nucleares a capital, Teerã, além de assassinar o alto comando militar do país. As investidas deste sábado pareceram muito mais amplas, incluindo alvos políticos como o Ministério da Inteligência, o Judiciário e o complexo murado de Pasteur, onde o presidente e o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, geralmente residem, segundo moradores da área e veículos de notícias locais.

Os ataques ocorrem em um momento frágil para o Irã, cujo governo iniciou uma repressão brutal em janeiro para sufocar protestos em todo o país que exigiam o fim do regime clerical iraniano.

Nem todos os iranianos estavam com raiva enquanto assistiam às colunas de fumaça subindo das explosões, disse Arian, morador do município de Ekteban, a oeste da capital, que contou que alguns de seus parentes estavam comemorando os ataques. Ele disse que podia ouvir vozes do lado de fora de seu prédio gritando “Vida longa ao Xá”, uma referência ao monarca do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, deposto na revolução de 1979 que levou a República Islâmica ao poder.

Enquanto aviões de guerra lançavam ataques pelo país, o presidente Donald Trump divulgou um comunicado em vídeo anunciando aos iranianos que “a hora de sua liberdade chegou” e pedindo que se levantem contra o governo assim que os bombardeios pararem.

Alguns iranianos ridicularizaram esse apelo.

“A única coisa em nossa mente agora é chegar a um lugar seguro”, disse Laleh, advogada e mãe de dois filhos, em entrevista por telefone. “Ninguém está pensando em protestar agora.”

Fonte: Folha de São Paulo

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