Mais de 200 presos políticos na Venezuela entraram em greve de fome, afirmaram familiares dos detidos neste domingo (22). A manifestação começou na noite de sexta-feira (20) na prisão Rodeo 1, nos arredores de Caracas.
Nem todos os prisioneiros aderiram à ação, que contesta a lei de anistia aprovada pela Assembleia na quinta-feira (20) com o apoio da líder interina Delcy Rodríguez. O protesto ocorre ainda após uma greve de fome realizada por familiares na semana passada em frente a outra prisão.
A legislação exclui casos de militares acusados de terrorismo —acusação comum contra críticos do regime que recai sobre muitos na unidade prisional. “Estamos anunciando e denunciando a greve de fome de todos os 213 presos políticos unidos”, disse Danielis García, membro da ONG Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela.
O primeiro sinal de que o protesto estava em andamento foi a suspensão das visitas de fim de semana. Mais tarde, parentes dos presos que não aderiram à greve foram autorizados a entrar e, ao sair, divulgaram o protesto.
“Eles iniciaram a greve por causa da lei de anistia, que deixa fora a maioria”, afirmou Shakira Ibarreto, filha de um policial preso em 2024. “Aqueles que não estavam em greve de fome puderam entrar, o que na verdade é um número pequeno”, acrescentou. “Os que conseguiram entrar ontem foram os que nos trouxeram a notícia.”
Yalitza García disse à agência de notícias AFP que seu genro, o argentino Nahuel Agustín Gallo, aderiu ao protesto. Segundo ela, vários presos esperaram até depois do horário de visitas do fim de semana para entrar em greve.
“Nahuel já havia feito greve de fome uma vez, mas a encerrou em um dia”, lembrou ela. “Desta vez, todos estão em greve de fome.”
A anistia não é automática de acordo com a lei: os afetados devem comparecer ao tribunal responsável pelo seu caso e solicitar a aplicação do benefício, que abrange eventos específicos ocorridos durante os 27 anos do chavismo.
No sábado (21), o líder da Assembleia, Jorge Rodríguez, afirmou que 1.500 presos políticos na Venezuela solicitaram sua libertação por meio da norma. Os pedidos “estão sendo processados imediatamente”, disse ele.
“Neste momento, centenas de pessoas privadas de liberdade já estão sendo libertadas ao abrigo da lei de anistia”, afirmou. Segundo Rodríguez, 11 mil pessoas em liberdade condicional terão a sua liberdade plena garantida pela lei.
Ele disse ainda à AFP que 80 pessoas haviam sido libertadas apenas no sábado, um número que familiares questionam.




