A mais alta jurisdição administrativa confirmou nesta sexta-feira (27) a classificação dos partidos LFI (A França Insubmissa) como extrema esquerda e da UDR (União dos Direitos pela República) como extrema direita. Ela vale para as eleições municipais de 15 e 22 de março.
Os dois partidos haviam recorrido contra um informe do ministro do Interior, Laurent Nuñez, que trouxe as definições em 2 de fevereiro. Na França, seguindo um costume do século 19, em todas as eleições o governo emite um comunicado agregando as legendas em blocos no espectro político.
“O ministro do Interior envia, para cada eleição nacional, uma circular aos prefeitos com instruções que lhes permitem atribuir aos candidatos e às chapas nuances políticas segundo regras homogêneas em todo o território, a fim de possibilitar a agregação dos resultados em nível nacional, para informação dos poderes públicos e dos cidadãos”, afirmou nesta sexta o Conselho de Estado em comunicado.
O colegiado é a jurisdição mais alta de decisões administrativas do governo francês.
“O Conselho de Estado também julga, considerando a situação política prevalecente para as eleições municipais de 2026 e as alianças observadas para essas eleições, que nem a classificação do LFI no bloco de clivagens ‘extrema-esquerda’, nem a do UDR no bloco de clivagens ‘extrema-direita’ estão viciadas por erro manifesto de apreciação”, disse.
É a primeira vez que o LFI de Jean-Luc Mélenchon é oficialmente classificado como extrema esquerda desde a criação do movimento em 2016, segundo o jornal Le Monde. O partido foi classificado apenas como esquerda em pleitos anteriores.
Nesta semana, o político foi acusado de antissemitismo depois de ironizar a pronúncia do nome do financista americano Jeffrey Epstein.
Mélenchon disse em comício na quinta-feira (26) que, na França, a pronúncia do sobrenome de Epstein como “Epstine” se tornou a norma, em vez de “Epstáin” —terminação que costuma ser associada a nomes judeus.
“Eu quis dizer ‘Epstine’, desculpem. ‘Epstine’ soa mais russo”, disse ele para os presentes, que começaram, então, a rir. “Agora vocês vão dizer ‘Einstine’ em vez de ‘Einstáin’, ‘Frankenstine’ em vez de ‘Frankenstáin'”, afirmou.
Essa não é a primeira vez que Mélenchon é acusado de antissemitismo, o que ele sempre negou. O líder da LFI afirmou nas redes sociais nesta sexta-feira que ironizou a pronúncia para mostrar uma tentativa de “russificar” o financista. “É consternadora a reação daqueles que veem nisso antissemitismo”, escreveu na rede social X.
Ele não comentou a decisão do Conselho de Estado diretamente, mas compartilhou na mesma rede social uma publicação criticando a classificação da LFI.
Já a UDR é um partido liderado pelo deputado Eric Ciotti, que foi expulso do partido Os Republicanos francês em 2024 após buscar aliar a legenda ao Reunião Nacional de Marine Le Pen, um dos principais nomes da extrema direita francesa.
O partido de Ciotti conta atualmente com 15 cadeiras da Assembleia Nacional francesa.




