Pressionado pelos Estados Unidos, que consideram enviar um segundo grupo de porta-aviões para a região do Oriente Médio, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira (11) que seu país está disposto a aceitar “todo tipo de inspeções” internacionais para provar que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Ao mesmo tempo, ele disse que Teerã não aceitará o que chamou de “exigências excessivas” de Washington nas negociações em andamento.
A declaração ocorreu durante as celebrações do 47º aniversário da Revolução Islâmica de 1979, em Teerã. Segundo Pezeshkian, o Irã não busca desenvolver armas nucleares e já informou isso “repetidas vezes”. Ele defendeu o direito do país de enriquecer urânio como parte de um programa que, segundo o regime, é estritamente civil.
As negociações entre Teerã e Washington foram retomadas na semana passada em Omã pela primeira vez desde a guerra de 12 dias iniciada em junho por Israel, que atacou instalações militares e atômicas iranianas. Os EUA se juntaram à ofensiva em junho, com o bombardeio de instalações nucleares do país.
Desde então, o governo Trump intensificou a pressão sobre o regime iraniano para que diminua o enriquecimento de urânio. Enquanto o Irã quer limitar o diálogo à questão nuclear, os americanos defendem ampliar a pauta para incluir o programa de mísseis balísticos do país persa e o apoio de Teerã a grupos regionais hostis a Israel, caso do Hamas, na Faixa de Gaza, e do Hezbollah, no Líbano.
“Nosso país não cederá diante da agressão”, disse Pezeshkian, acrescentando que o regime mantém esforços diplomáticos com países vizinhos para buscar a paz.
Ainda nesta quarta, o presidente Donald Trump receberá o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, na Casa Branca, onde os líderes devem discutir ações contra o Irã. A reunião está prevista para começar às 11h no horário local (13h em Brasília).
Atualmente, inspetores do Organismo Internacional de Energia Atômica são responsáveis por verificar o caráter pacífico do programa nuclear iraniano, mas não têm acesso às instalações há meses, o que aumenta as dúvidas sobre o avanço do projeto.
O discurso do presidente iraniano ocorreu na praça Azadi, em Teerã, onde milhares de pessoas participaram das comemorações oficiais. Mulheres carregavam bandeiras nacionais e retratos do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, no poder desde 1989. A segurança foi reforçada em relação aos anos anteriores, um mês após grandes protestos contra o regime nos dias 8 e 9 de janeiro.
Na noite anterior às celebrações, autoridades promoveram fogos de artifício pela data. Em alguns bairros da capital, porém, moradores foram filmados gritando slogans como “morte a Khamenei” e “morte ao ditador”, segundo vídeos verificados pela agência de notícias AFP e divulgados pela plataforma Mamlekate, que monitora manifestações.
De acordo com a ONG Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, ao menos 6.984 pessoas morreram durante a repressão às manifestações de janeiro, incluindo 6.490 manifestantes. Mais de 52 mil pessoas foram detidas, entre elas integrantes do movimento reformista que haviam apoiado a campanha presidencial de Pezeshkian em 2024.
Na terça (10), Trump afirmou que considera enviar um segundo grupo de porta-aviões para próximo do Irã, uma forma de aumentar a pressão sobre o regime enquanto os rivais se preparam para retomar negociações.
Em entrevista ao Canal 12 israelense e ao site americano Axios, o republicano afirmou também que está pronto para agir militarmente caso as discussões sobre o programa nuclear de Teerã não deem resultado. “Ou chegamos a um acordo, ou teremos de fazer algo muito duro”, afirmou.




