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Gâmbia acolhe líder da oposição do Camarões após eleições – 24/11/2025 – Mundo

O governo de Gâmbia informou neste domingo (23) que acolheu temporariamente o líder da oposição de Camarões, Issa Tchiroma Bakary, por razões humanitárias, após os resultados da eleição presidencial de outubro serem contestados e desencadearem protestos nas ruas.

O ditador Paul Biya, o chefe de Estado mais velho do mundo, tomou posse com 92 anos após ser declarado vencedor da eleição realizada no mês passado em Camarões, com 53,66% dos votos, contra 35,19% obtidos por Tchiroma, ex-porta-voz do governo que havia renunciado ao cargo de ministro em junho.

Os resultados eleitorais são alvo de uma guerra de versões diante da opacidade dos órgãos camaroneses. Analistas esperavam que o controle de Biya sobre as instituições estatais e uma oposição fragmentada lhe dessem vantagem na eleição, apesar do crescente descontentamento público com a estagnação econômica e com uma grave crise de segurança.

Tchiroma declarou-se vencedor logo após as eleições e prometeu resistir até a “vitória final”. Protestos eclodiram em várias regiões do país à medida que os resultados preliminares indicavam que Biya, que está no poder desde 1982, conquistaria um oitavo mandato.

Forças de segurança camaronesas reprimiram violentamente os protestos e deixaram pelo menos 48 mortos, segundo a ONU. O paradeiro de Tchiroma era desconhecido havia semanas.

Em um comunicado divulgado na noite de domingo (23), o Ministério da Informação da Gâmbia afirmou que o país estava abrigando Tchiroma “puramente por razões humanitárias, no espírito de solidariedade africana”, para garantir sua segurança enquanto prosseguem esforços para resolver as “tensões pós-eleitorais”.

Banjul está em consulta com parceiros regionais, incluindo a Nigéria, para apoiar uma solução negociada para a crise em Camarões, disse o comunicado. O texto também reafirmou o compromisso de Gâmbia com a soberania e a integridade territorial de todos os Estados-membros da União Africana e disse que seu território não será usado como base para atividades subversivas contra qualquer país.

Em um comunicado separado também no domingo, o principal partido de oposição de Gâmbia, o United Democratic Party, acusou o governo de falta de transparência sobre a “chegada silenciosa” de Tchiroma, mas acrescentou que estava em plena solidariedade com ele e que a iniciativa humanitária era bem-vinda.

Uma semana após afirmar que ganhou o pleito, Tchiroma publicou em suas redes sociais as atas que, segundo ele, comprovam sua maioria. O político diz ter os documentos de 18 dos 58 departamentos do país, o que representaria quase 80% do eleitorado, e afirma ter ganhado em todas essas regiões. No entanto, observadores dizem que algumas das cifras mostram taxas de participação maiores do que o número de eleitores registrados nas regiões em questão.

O Conselho Constitucional, por sua vez, tampouco é visto como uma fonte neutra, embora seja o responsável por proclamar os resultados. O órgão, cuja criação estava prevista na Constituição de 1996 e é a instância máxima de interpretação de leis e de regulação eleitoral do país, foi instituído apenas em 2018 e tem todos os seus 11 membros nomeados por Biya.

Outros líderes da oposição também apontam fraude generalizada, mas a decisão do conselho é definitiva e não está sujeita a recurso.

Fonte: Folha de São Paulo

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