A líder parlamentar da Reunião Nacional (RN) na França, Marine Le Pen, afirmou nesta quarta-feira (25), em entrevista à rede BFMTV, que não fará campanha para a próxima eleição presidencial caso seja condenada a usar tornozeleira eletrônica.
“Não podemos fazer campanha nessas condições”, declarou. Essa é “mais uma forma de me impedir de ser candidata” em 2027, afirmou.
Le Pen receberá a decisão do Tribunal de Apelação de Paris em 7 de julho, no caso que envolve assessores de eurodeputados da RN, após ter sido condenada em primeira instância, entre outras penas, a dois anos de uso de tornozeleira eletrônica e à proibição de ocupar cargos públicos por cinco anos, com efeito imediato.
A líder é acusada, juntamente com outros 11 réus da RN, de usar € 4,6 milhões (cerca de R$ 29 milhões), destinados a remunerar assessores, para pagar funcionários do partido sem vínculo com o Parlamento Europeu. Ela também foi condenada a quatro anos de prisão, dos quais dois em regime fechado, e recorre em liberdade.
Seus defensores acusam a Justiça francesa de partidarismo, e a juíza encarregada do caso sofreu ameaças nas redes sociais e passou a andar com seguranças.
Pouco antes do início do julgamento, em janeiro deste ano, a revista alemã Der Spiegel publicou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cogitou impor sanções contra os juízes encarregados do caso —a exemplo do que fez contra ministros do STF durante o julgamento da trama golpista contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A notícia causou indignação no meio jurídico francês.
Le Pen, que denunciou “um processo político” em várias entrevistas, não se pronunciou em público antes do início do julgamento. Quem falou foi seu pupilo no partido, Jordan Bardella, presidente da RN. Segundo ele, “seria profundamente inquietante para a democracia” que a deputada seja impedida de disputar a Presidência.
Caso a sentença seja confirmada, o próprio Bardella, de apenas 30 anos, passaria a ser o provável candidato da sigla. Algumas pesquisas o apontam até como mais competitivo que Le Pen, criando uma rivalidade nos bastidores que os dois têm se empenhado em minimizar publicamente.
A líder de ultradireita descartou, ainda nesta quarta, ter “um papel de tutora” sobre Bardella caso ela não possa se candidatar. Se o presidente do partido for eleito, ela afirma que terá “qualquer papel que ele quiser” no governo. “Em todo caso, o que é certo é que não terei um papel de tutora. Ele nunca esteve sob minha tutela e nunca estará”, declarou.
Sobre Bardella também pesa uma acusação de desvio de fundos do Parlamento Europeu —no caso dele, para gastos com media training na eleição de 2022. Por enquanto, porém, ele não é réu.




