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Contra Trump, estudantes dos EUA se preparam para eleições – 19/02/2026 – Laura Greenhalgh

O pastor Jesse Jackson, morto nesta semana aos 84 anos, tem recebido homenagens por seu combate ao racismo e empenho para melhorar a vida dos negros americanos. Até Donald Trump lamentou a perda de um “homem bom”. Duas vezes candidato à Presidência, o democrata entra para a história como um dos grandes promotores dos direitos civis nos Estados Unidos.

Jackson chamou a atenção de Martin Luther King Jr. no início dos anos 1960, quando era aluno de uma universidade da Carolina do Norte. Ali ele liderou marchas contra a segregação racial, algo que provara desde a infância. Luther King viu que o jovem tinha garra. E o jovem sentiu que mudara no momento em que conheceu o reverendo.

Passadas seis décadas desde aquele período de ativismo, de novo estudantes americanos se posicionam no front político, contra o autoritarismo. Sinal disso vem de dezenas de faculdades que se juntam para lançar o Verão da Democracia, ecoando o Verão da Liberdade, de 1964. Este foi um movimento de ativistas negros e brancos para ampliar o número de votantes no estado do Mississippi –segundo registros da época, não passavam de 6,7% da população.

À frente do novo Verão encontra-se a Universidade Wesleyan, em Connecticut. É uma instituição privada, politicamente à esquerda, fundada em 1831 por metodistas da região da Nova Inglaterra, só para alunos homens. Hoje a Wesleyan admite mulheres, tornou-se secular e suas faculdades ocupam posições altas no ranking do ensino superior americano.

Pois vem de lá essa movimentação estudantil, desafiando o cerco financeiro de Trump às universidades. O propósito da iniciativa, segundo o reitor Michael Roth, é “defender a democracia americana”, começando pela lisura das eleições de meio de mandato, em novembro. Ou seja, cria-se uma teia de faculdades para atrair milhares de estudantes, recrutados como ajudantes de pesquisa, monitores nos locais de votação ou observadores. Enfim, trabalho cívico.

Só que isso representa mais um grau na escala Trump de desassossego. O presidente continua a defender a “nacionalização” do pleito, a cobrar listas de votantes dos estados, a exigir o fim do voto por correio, além de querer implantar as restrições contidas no Save Act, uma nova legislação eleitoral aceita pelos deputados, talvez a ser barrada pelos senadores.

E qual é o plano geral de Trump? Desestimular quem vota, criar instabilidade e, se as urnas não lhe forem favoráveis, decretar a “fraude”, numa nítida escalada autoritária. Como projeta a revista American Prospect, se os democratas levarem a melhor em novembro, Trump acionará uma espécie de variante do 6 de janeiro no Capitólio, inclusive tentando suspender a posse dos novos eleitos.

Os prognósticos preocupam. Além do engajamento dos estudantes, cresce também a movimentação de organizações da sociedade civil. Caso da We Vote, uma plataforma aberta, não-partidária, cujo objetivo é valorizar o ato de votar. Ou a Run for Something, em apoio a jovens candidatos. Ou o Legal Defense Fund, que estimula a participação eleitoral de negros e cidadãos de grupos minoritários.

Essa resistência, que deve chegar a outros setores, desnorteia o presidente imperial, tal como os protestos de rua em Minneapolis. Trump já disse que perder não faz bem ao seu ego. Idem ao seu futuro político. Ou, talvez, seja o caminho mais rápido para o exílio em Mar-a-Lago.


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Fonte: Folha de São Paulo

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