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Casa Branca: Alibaba apoia operações chinesas contra EUA – 19/11/2025 – Mundo

A Alibaba fornece suporte técnico para “operações” militares chinesas contra alvos nos EUA, de acordo com informações de inteligência citadas em um documento de segurança nacional da Casa Branca que levanta preocupações sobre a gigante da tecnologia.

O memorando oficial, fornecido ao jornal Financial Times, inclui informações de inteligência “ultrassecretas”, agora tornadas públicas, sobre como o grupo chinês fornece ao Exército da China recursos que a Casa Branca acredita ameaçarem a segurança dos EUA.

As afirmações, que o Financial Times não pode verificar de forma independente, refletem as crescentes preocupações dos EUA com os serviços em nuvem chineses, a inteligência artificial e a capacidade de Pequim de acessar e explorar dados confidenciais nos EUA. As acusações contra a Alibaba são as mais novas preocupações levantadas por autoridades e legisladores americanos sobre empresas de tecnologia chinesas com supostas ligações com as forças de Pequim.

De acordo com o memorando da Casa Branca, a Alibaba também fornece ao regime chinês e ao Exército acesso a dados de clientes que incluem endereços IP, informações de Wi-Fi e registros de pagamento, bem como diferentes serviços relacionados à IA. O memorando afirma que funcionários transferiram conhecimento sobre “exploits zero-day” para as forças chinesas —vulnerabilidades de software anteriormente desconhecidas que os desenvolvedores não tiveram oportunidade de corrigir.

A Alibaba rejeitou as acusações, dizendo: “As alegações supostamente baseadas em informações de inteligência dos EUA que vazaram de sua fonte são um completo absurdo. Trata-se claramente de uma tentativa de manipular a opinião pública e difamar a Alibaba.” A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As Forças Armadas em todo o mundo dependem cada vez mais das empresas privadas para uma variedade de necessidades tecnológicas, especialmente porque os sistemas de armas estão conectados por redes de computadores e dependem cada vez mais de serviços de computação em nuvem. Por exemplo, em 2022, o Pentágono concedeu contratos de serviços de computação em nuvem ao Google, Amazon, Microsoft e Oracle.

O documento não especificou quais seriam os alvos do Exército chinês nos EUA. Mas o gabinete do diretor de inteligência nacional afirmou este ano que a China era capaz de comprometer a infraestrutura americana de maneiras que poderia implicar em um conflito com os EUA.

Em uma avaliação de ameaças em março, ele afirmou que as campanhas cibernéticas chinesas, incluindo uma invasão sem precedentes nas redes de telecomunicações dos EUA, apelidada de Salt Typhoon, mostravam a “crescente amplitude e profundidade” de suas capacidades.

Questionado sobre o memorando, um funcionário dos EUA disse que o governo “leva essas ameaças muito a sério e está trabalhando dia e noite para mitigar os riscos e efeitos contínuos e potenciais de invasões [cibernéticas] que utilizam fornecedores não confiáveis”. A Casa Branca e a CIA se recusaram a comentar.

A nota, datada de 1º de novembro, veio imediatamente após o presidente Donald Trump se encontrar com o presidente Xi Jinping na Coreia do Sul e concordar com uma ampla trégua nas restrições comerciais por um ano.

A Casa Branca se recusou a dizer se planejava responder às atividades descritas no memorando. Alguns legisladores já haviam instado o governo a tomar medidas contra o grupo.

John Moolenaar, chefe republicano do comitê da Câmara dos Representantes para a China, disse ao FT que as alegações sobre o Alibaba coincidiam com as preocupações de longa data de seu comitê sobre as empresas chinesas estarem sujeitas às leis chinesas que removem as proteções aos clientes, independentemente de onde operem no mundo.

“O governo federal e a indústria devem tomar medidas para proteger o povo americano e eliminar o acesso das empresas chinesas aos nossos mercados e inovações”, disse ele.

Em maio, legisladores americanos, incluindo Moolenaar, instaram a Comissão de Valores Mobiliários a retirar da lista 25 grupos chineses, incluindo o Alibaba, devido a preocupações com supostas ligações com o Exército chinês. Eles citaram um programa do regime chinês conhecido como “fusão militar-civil”, alegando que ele exige que as empresas compartilhem tecnologia com suas forças.

Dennis Wilder, ex-chefe de análise da China na CIA, disse que a amplitude e a profundidade das operações de invasão cibernética do Exército chinês, além de seus ataques tradicionais de espionagem cibernética, atingiram um nível “sem precedentes”.

“O PLA [Exército de Libertação Popular, como se denominam as forças chinesas] está realizando invasões generalizadas e diárias contra infraestruturas críticas dos EUA, incluindo aeroportos, portos marítimos e outros nós de transporte críticos das forças americanas no Pacífico, mas também no território continental dos EUA”, disse Wilder. “O objetivo é estabelecer as bases para sua estratégia de ‘guerra de destruição de sistemas’ que seria implementada em um conflito militar.”

O militar Sir Richard Barrons, um general britânico aposentado que foi um dos redatores da Revisão Estratégica de Defesa do Reino Unido para 2025, disse que as Forças Armadas em todo o mundo dependem cada vez mais de grupos de tecnologia privados para serviços, pesquisa e desenvolvimento que antes seriam feitos internamente.

“Não é apenas que essas empresas tenham toda a tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, elas também têm todo o dinheiro”, disse Barrons, que agora dirige a Universal Defence, uma consultoria de Londres.

Questionada sobre o memorando, a embaixada chinesa em Washington acusou os EUA de uma “distorção completa dos fatos”, afirmando que Pequim estava aprimorando leis e regulamentos para proteger a privacidade pessoal e os dados no âmbito da IA.

“O governo chinês atribui grande importância e protege a privacidade e a segurança dos dados de acordo com a lei, e nunca exigiu nem exigirá que empresas ou indivíduos coletem ou forneçam dados localizados em países estrangeiros em violação às leis locais”, afirmou a embaixada.

Fonte: Folha de São Paulo

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