O presidente Donald Trump voltou a criticar nesta quarta-feira (8) seus aliados da Otan durante a cúpula da aliança militar criada pelos EUA há 77 anos para conter Moscou na Europa. Dedicou irritação particular à Espanha, dizendo que ordenou o corte de laços comerciais com Madri.
“Eu não estou feliz com a Otan”, disse o americano ao lado do holandês Mark Rutte, o secretário-geral do clube de 32 nações. Ele voltou a citar a Groenlândia, ilha da aliada Dinamarca que quer ver sob controle dos EUA, e a falta de apoio à sua guerra contra o Irã.
“A Espanha é um terrível parceiro na Otan. Eles não participam, não pagam. Eu não quero saber da Espanha. Cortar todo o comércio com a Espanha, inclusive visitas. Nós não queremos nada. Veja eles correndo atrás de nós”, disse.
A bravata havia sido feita em março, quando o governo do socialista Pedro Sánchez negou permissão do uso de suas estratégicas bases aéreas no Mediterrâneo para apoiar os ataques americanos contra a teocracia.
Na ocasião, contudo, nada aconteceu, restando saber se algo é para valer agora. Se o for, é mau negócio para os EUA: nos últimos quatro anos, Washington registrou superávit na balança comercial com Madri, que em 2025 foi de US$ 4,8 bilhões.
Em nota, o governo espanhol minimizou a ameaça, dizendo que os negócios entre os países são definidos por suas empresas, não seus governos, e enaltecendo os “laços econômicos e culturais” que pretende ver mantidos com os americanos.
O azedume de Trump com os europeus ficou nítido na hora da fotografia oficial do encontro. Ele não se dirigiu à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que passou da condição de aliada para alvo de memes do americano devido à sua falta de apoio no Irã. A política permaneceu sorridente, de rosto virado, enquanto o americano chegava a seu posto.
Antes da cúpula em Ancara, o republicano chegou a postar uma foto ao lado dela pedindo uma ordem restritiva. Além disso, a seu lado na fotografia estava Keir Starmer, o premiê britânico demissionário que foi alvo de diversas críticas de Trump pela relutância em liberar suas bases para os EUA na guerra.
O conflito, aliás, tomou o centro do palco que em tese deveria ser dedicado à tentativa de Rutte de convencer Trump acerca do esforço de rearmamento dos seus sócios europeus e à ajuda para a Ucrânia contra a invasão russa.
Em 2014, quando Vladimir Putin anexou a Crimeia e disparou alarmes no continente, apenas 3 dos então 28 membros da aliança cumpriam a meta de gastar 2% do PIB com defesa. Trump sempre foi um crítico, e buscou afastar-se de compromissos com a Otan, inclusive passando a conta da defesa de Kiev aos aliados.
O novo contexto teve impacto. Apenas 3 de 32 não o fizeram em 2025, quando foi adotada nova diretriz de 3,5% com equipamento e pessoal e 1,5% com infraestrutura militar até 2035.
Com a renovada troca de fogo entre EUA e o Irã ocupou boa parte das questões e conversas nesta quarta na Turquia. O anfitrião, Recep Tayyip Erdogan, de todo modo parecia satisfeito com a promessa de Trump de rever a expulsão de seu país do programa do caça de quinta geração F-35, medida tomada há sete anos pelo próprio americano.
O tema da guerra na Europa deverá surgir na reunião ora em curso entre os chefes de Estado presentes. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, está em Ancara e deverá se encontrar com Trump ainda nesta quarta.




