O papa Leão 14 usou uma visita à ilha italiana de Lampedusa neste sábado (4) para pedir aos líderes europeus que façam mais para ajudar imigrantes desesperados que arriscam travessias perigosas pelo Mediterrâneo, enquanto as chegadas à ilha na linha de frente ultrapassaram 7.000 este ano.
Leão, que provocou a ira de Donald Trump no ano passado após chamar as políticas anti-imigração linha-dura do presidente americano de “desumanas”, pediu ao mundo que se torne “mais humano” e ajude aqueles que fogem da guerra ou da pobreza.
“Aqueles que perderam suas vidas neste mar são vítimas tanto de decisões que foram tomadas quanto de decisões que não foram tomadas”, disse o papa como parte de uma visita solene de um dia, realizada enquanto seu país natal, os Estados Unidos, celebrava seu 250º aniversário.
O primeiro papa nascido nos EUA pediu à Europa que enfrente a migração “de maneira abrangente, integrando esforços de socorro imediato em um plano estratégico de longo prazo capaz de receber, proteger, apoiar e integrar imigrantes”.
Lampedusa, que fica entre a Tunísia, Malta e Sicília, está em uma das rotas migratórias mais mortais do mundo. Muitos migrantes chegam após cruzar o Mediterrâneo em barcos superlotados e embarcações improvisadas.
A visita ecoou a do papa Francisco, que fez de Lampedusa o destino de sua primeira viagem fora de Roma após ser escolhido em 2013.
Entre os reunidos perto do porto mais ao sul da Itália para ver o papa estavam imigrantes recém-chegados, autoridades de busca e resgate da Guarda Costeira italiana e grupos de ajuda humanitária.
Leão disse a eles que veio para mostrar que o papa “continua a acompanhá-los, apoiá-los e encorajá-los”.
Ele também pediu aos líderes europeus que ajudem a melhorar as condições nos países de origem dos imigrantes para que menos pessoas se sintam compelidas a partir.
“A visita do papa fala a cada um de nós”, disse Kandeh Abdourahman, um imigrante que chegou a Lampedusa em 2015 após viajar por cinco países africanos, o deserto do Saara e o Mediterrâneo.
É “um lembrete de que nossas histórias são vistas, de que acolhimento não é apenas uma palavra, mas um ato de humanidade”, disse Abdourahman, agora mediador cultural do Comitê Internacional de Resgate.
Um total de 14.464 imigrantes chegou à Itália por mar até agora este ano, de acordo com dados da Agência da ONU para Refugiados fornecidos à Reuters, com mais da metade desembarcando em Lampedusa. O número excede a população residente da ilha, de cerca de 6.000 pessoas.
Mais de 1.400 pessoas morreram ou desapareceram enquanto tentavam cruzar o Mediterrâneo este ano, incluindo 28 crianças, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações da ONU.
Desde que se tornou papa em maio de 2025, Leão fez do apoio aos imigrantes um tema central de seu papado. No mês passado, ele alertou que a história julgará severamente os líderes que maltratam imigrantes.
Em seu primeiro grande discurso aos EUA na sexta-feira, ele elogiou a história do país de acolher imigrantes e pediu aos americanos que defendam os ideais estabelecidos na Declaração de Independência.
Chegando a Lampedusa pouco antes das 9h, no horário local, no sábado, Leão depositou flores em um cemitério local nos túmulos de imigrantes que morreram tentando a travessia do Mediterrâneo.
Ele também visitou a “porta da Europa”, uma instalação artística na praia mais ao sul da Itália dedicada aos migrantes, caminhando através da estrutura em direção ao Mediterrâneo em meio a ventos fortes.
Autoridades do Vaticano disseram que o papa queria enfatizar sua mensagem de apoio aos imigrantes e deliberadamente programou a visita para coincidir com o feriado de 4 de julho, Dia da Independência dos EUA.
“A presença do papa Leão 14 envia uma mensagem clara em um momento em que o debate político global sobre imigração é frequentemente enquadrado em torno de fronteiras e dissuasão, em vez de proteção e responsabilidade compartilhada”, disse Anna Leer, uma autoridade da Agência da ONU para Refugiados.
“Todo ato de testemunho da humanidade daqueles que fogem da violência, perseguição e conflito carrega peso moral e político”, disse.




