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María Corina diz que seu retorno estabilizaria a Venezuela – 03/07/2026 – Mundo

Fora da Venezuela desde o fim do ano passado, a líder opositora María Corina Machado afirmou nesta sexta-feira (3) que seu retorno contribuiria para a estabilização do país após os terremotos gêmeos em 24 de junho que provocaram milhares de mortes e devastaram áreas inteiras.

Em videoconferência, María Corina também classificou o país de “Estado falido” e criticou a capacidade do regime de responder à tragédia. As falas ecoam manifestações de parte da população, que considera lenta e insuficiente a atuação das autoridades durante as operações de busca e resgate.

A opositora deixou a Venezuela de forma clandestina em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz, na Noruega. Na segunda (29), María Corina acusou o regime liderado de forma interina por Delcy Rodríguez de fechar o espaço aéreo para impedir seu retorno ao país.

“Após a tragédia de 24 de junho, minha presença traz estabilidade; faz parte das forças organizadoras de que o país precisa”, afirmou a líder da oposição nesta sexta.

Segundo María Corina, os terremotos escancararam a fragilidade do Estado venezuelano. “Essa tragédia evidenciou o que todos sabíamos: a Venezuela se transformou em um Estado falido e tem uma ausência absoluta e total de capacidade para administrar danos”, afirmou, em tom duro.

Os dois terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho deixaram mais de 2.600 mortos e 12,4 mil feridos, sobretudo no estado de La Guaira e em Caracas, de acordo com a ditadura do país. Ainda segundo números oficiais, quase 200 edifícios desabaram completamente. As estatísticas ainda devem piorar.

Delcy Rodríguez exerce a liderança do regime desde a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA, em 3 de janeiro, numa operação militar feita em Caracas.

Durante a videoconferência, María Corina agradeceu ao apoio americano ao que chamou de transição no país e à assistência prestada após os terremotos. E voltou a defender que seu retorno favoreceria o processo político em curso. “Estou absolutamente convencida de que, para facilitar o avanço de um processo de transição, minha presença contribui”, disse.

Apesar de a opositora manifestar o desejo de voltar à Venezuela, governo dos EUA disse na quarta (1º) não ser o momento de introduzir questões políticas sensíveis em um contexto de crise humanitária provocada pelos terremotos.

Sob condição de anonimato, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou à agência de notícias AFP, sem mencionar María Corina, que acrescentar questões políticas sensíveis à situação atual seria contraproducente para os esforços de resposta à tragédia.

Fonte: Folha de São Paulo

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