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Estudo: Rússia usou drones para expor defesas da Otan – 02/07/2026 – Mundo

A Rússia conduziu uma campanha para descobrir falhas no sistema de defesa aérea da Europa com impunidade quase total durante 15 meses, empregando drones simples lançados de navios para fazer o serviço.

A acusação consta de um relatório divulgado nesta quinta-feira (2) pelo britânico IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, na sigla inglesa), um dos mais respeitados centros de análise militar do mundo.

O IISS listou 144 incidentes entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026 nos céus europeus, concluindo ser altamente provável que eles tenham feito parte de uma mesma campanha, que representou “uma série de sucessos táticos para o Kremlin e um fracasso estratégico para a defesa aérea aliada”.

Segundo o estudo, boa parte dos avistamentos de drones sobre aeroportos e bases militares do continente envolveu drones lançados por navios comerciais, inclusive petroleiros da chamada frota fantasma russa, que transporta óleo sob sanção em embarcações com bandeiras de outros países.

“O padrão não pode ser explicado por identificação incorreta ou oportunismo”, disse Charlie Edwards, o principal autor do estudo.

“A Rússia tem demonstrado que pode penetrar o espaço aéreo de membros da Otan, incluindo instalações nucleares, sem provocar uma resposta coletiva. Essa lacuna entre capacidade e vontade política é agora uma vulnerabilidade estratégica”, completou.

O tema ganhou corpo desde que Vladimir Putin invadiu a Ucrânia, apoiada pelo Ocidente, em 2022. As tensões em torno do conflito têm feito os europeus se rearmarem de forma acelerada e nem sempre com um plano claro, e países como a Alemanha creem em um conflito com Moscou antes de 2030.

A pressão sobre o Kremlin para atingir resultados no campo de batalha também leva membros da elite russa a acreditar que um choque direto com algum membro da Otan, provavelmente os mais expostos países bálticos, seja inevitável.

O incidente mais significativo ocorreu em fevereiro deste ano, quando a Suécia interceptou eletronicamente um drone que se aproximava do porta-aviões de propulsão nuclear francês Charles de Gaulle, que estava no mar Báltico.

A investigação determinou que o aparelho havia sido lançado de um navio espião russo, o Jigulevsk, que operava na região. A Rússia negou envolvimento no episódio. Também costuma chamar de histeria russofóbica os relatos de ações de drones que fecharam diversos aeroportos europeus nos últimos anos.

Foram afetados repetidamente aeródromos em Bruxelas, Copenhague, Munique, Vilnius e Oslo. “O fechamento atrapalhou o tráfego civil e erodiu a confiança pública em segurança no espaço aéreo”, afirma o instituto.

Ao todo, dos 144 incidentes analisados, 48% ocorreram sobre bases militares, 26% sobre instalações críticas de energia e 18% em aeroportos, que foram fechados de forma temporária.

A Alemanha foi o país mais atingido, com 58 ocorrências, seguida pela Bélgica (25), Dinamarca (16), Holanda (9), França (8), Reino Unido e Noruega (7 cada), entre outros.

Entre os alvos militares, houve avistamentos suspeitos sobre duas bases que abrigam armas nucleares táticas americanas, na Bélgica e na Holanda, e sobre o porto que sedia os submarinos de ataque nuclear da França.

O IISS aponta que não houve sucesso para evitar a campanha, considerando que a Europa está vulnerável a esse tipo de verificação de suas capacidades defensivas aérea e antiaérea.

Quando os russos lançaram drones que invadiram o espaço aéreo polonês em setembro passado, a Otan lançou um programa de defesa mútua contra drones. “Ainda assim, o Parlamento Europeu concluiu que a iniciativa não tinha agilidade ou coerência doutrinária para entregar resultados”, nota o instituto.

Naquela ocasião, a Otan fez uma demonstração inócua de força, lançando uma operação de patrulha aérea com apoio francês nos céus poloneses. Contra enxames de drones, a guerra do futuro, é um exercício fútil: cada avião leva só um número restrito de mísseis, e eles são caríssimos para se opor a aviões-robôs baratos.

Moscou ainda não se manifestou sobre a publicação.

Fonte: Folha de São Paulo

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