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Terremotos na Venezuela expõem fragilidade dos irmãos Rodríguez – 01/07/2026 – Mundo

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O futuro político imediato e de médio a longo prazo da Venezuela está na mesa. Se a tragédia dos terremotos deixa toda a realidade conturbada, o pano de fundo da política não deixa de produzir fricções, intrigas e alianças inusuais.

Como contei na Folha, não há maneira de essa tragédia, como tantas antes dela, não deixar marcas na política.

Há muito para se ler sobre os próximos passos em Caracas. É bom lembrar: hoje a Venezuela é governada por aliados de Maduro, os irmãos Rodríguez, a ex-vice de Maduro, Delcy Rodríguez, hoje presidente interina, e seu irmão, Jorge, presidente do Parlamento. Entre os mais próximos e especialistas no tema, pode-se chamá-los de “Rodrigato”.

O momento de impasse de um governo com apoio de Donald Trump foi bem retratado em um artigo do Wall Street Journal: eleições agora são logisticamente impossíveis, mas seus atores deveriam “dar a cara” e convocá-las.

Os acontecimentos levam os EUA a uma posição mais firme. Foram eles que tiraram Maduro do país e deixaram o “Rodrigato” no poder.

Os EUA anunciaram que enviaram dinheiro, mas será que confiam que os irmãos vão usá-lo para as necessidades pós-terremoto? Agências e entidades independentes na Venezuela pedem que doadores não deem dinheiro diretamente ao governo, mas sim a elas mesmas. Elas já estariam vivenciando roubos e desvios.

Enquanto isso, María Corina Machado resolveu voltar a seu país, via Panamá, e estar entre os escombros.

Do ponto de vista local, é um golaço e um gesto humanitário necessário. Ela terá material de campanha à beça depois disso. Além de sair à frente de outros opositores que estão impedidos de estar no país, como Leopoldo López e Juan Guaidó.

Ir aos escombros e posar diante de vítimas é, justamente, o que o regime não parece querer se aventurar a fazer. Segundo Luis Vicente León, sociólogo com quem conversei no fim de semana, se integrantes do governo forem a La Guaira, certamente vão ouvir que “tudo o que essa gente quer é vê-los enforcados”.

Mas, se María Corina vai aos escombros, como fica o acordo de amizade entre Donald Trump e o “Rodrigato”? Até aqui, Trump tem jogado nos dois lados, ao admitir Delcy como vice, por um lado, e recebendo de bom grado opositores como María Corina em seu círculo, por outro. Mas terá a força ou a vontade política de realizar um grande diálogo?

No final dos anos 1970, a Nicarágua vivia uma grave crise política sob a ditadura dos Somoza. Juntaram-se, então, vários membros da sociedade, incluindo a Igreja e vários partidos políticos. A aliança derrotou os Somoza e acabou com essa ditadura.

A parte ruim foi que, primeiro, a Frente Sandinista retirou os demais da aliança; depois, Ortega transformou a Nicarágua numa espécie de regime de partido único, o que ocorre hoje.

Mas, talvez, a ideia de uma aliança nacional, mesmo apadrinhada pelos EUA, pareça ser a única saída honrável para liquidar o chavismo nos dias de hoje.


Latinas

COLÔMBIA

Leia aqui um ótimo retrato do novo governante da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que assume o governo em 7 de agosto.

ARGENTINA

O presidente Javier Milei teve de abandonar Manuel Adorni depois de meses de acusação contra o aliado de enriquecimento ilícito. Reportagem do Página 12 mostra mensagem de voz que expôs o ex-chefe de gabinete do presidente argentino.

Fonte: Folha de São Paulo

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