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A vitória de virada do Brasil contra o Japão repercutiu com força na internet chinesa. O país adversário da seleção brasileira na segunda-feira (29) é rival histórico da China, que guarda mágoas em relação aos japoneses.
A despeito do horário (o jogo começou a ser transmitido por volta da 1h de terça na China), chineses enxurram as redes sociais locais com comentários sobre a partida.
Com mais de 40 milhões de visualizações, o tópico “#Brasil avança para as oitavas com um gol da vitória no último suspiro” concentrou vários posts de internautas elogiando o Brasil e aproveitando para alfinetar o Japão.
Um post popular, por exemplo, dizia: “Que sensação boa! O Brasil garantiu a vitória contra o Japão no último minuto! É simplesmente maravilhoso! O Japão andava se gabando de que conquistaria o título, mas tinham muita ambição e pouca substância (…) Não tem nada melhor do que ver o Japão ser eliminado”.
Outro internauta comentou: “O Japão quase surpreendeu a seleção brasileira pentacampeã. Sinceramente, deu a impressão de que o Brasil subestimou um pouco o adversário. O Japão deveria simplesmente voltar para casa e fazer outro filme sobre futebol hahaha!”
Os posts de segunda foram bem diferentes do início da Copa. Após a estreia contra Marrocos, a seleção brasileira foi criticada pelos fãs chineses. O South China Morning Post chegou a compilar vários destes comentários, destacando posts em que internautas apontavam a seleção atingindo “níveis cada vez mais baixos a cada torneio” e “perdendo sua magia de 2002”.
A despeito da paixão pelo esporte, a China não tem um bom histórico em futebol. O país se classificou uma única vez para a Copa, em 2002, quando perdeu todas as partidas e caiu ainda na fase de grupos.
Xi Jinping é declaradamente um fã do esporte. Há três anos, o líder chinês foi flagrado comentando em tom de piada com um premiê tailandês que não tinha “confiança no time de futebol chinês”.
Por que importa: Boa parte do apoio chinês à seleção brasileira na partida se deve à complicada relação entre Pequim e Tóquio, atualmente em um dos seus piores momentos na história recente. O sucesso na internet também reflete o bom momento dos laços entre China e Brasil, que tem se tornado cada vez mais popular nas redes sociais de lá.
pare para ver
Tela de Red Rong Yi (ou Hóng Róng Yí 洪荣怡 em chinês), uma artista de Xangai que em 2014 ficou famosa por produzir painéis gigantes com pinturas dos jogadores Cristiano Ronaldo, Neymar e Messi naquela Copa do Mundo.
o que também importa
★ Pesquisadores chineses divulgaram o sucesso do teste em solo de um novo motor para aeronaves hipersônicas. Elas são capazes de voar a mais de cinco vezes a velocidade do som. Segundo a equipe, a tecnologia permite que o motor funcione desde velocidades mais baixas, eliminando a necessidade de um foguete auxiliar para colocá-lo em operação. O avanço pode reduzir custos e ampliar as aplicações desse tipo de aeronave, além de reforçar a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos por sistemas hipersônicos de uso militar.
★ Representantes indianos estiveram com diretores da agência Xinhua, em gesto de aproximação enquanto Pequim pressiona que o vizinho conceda vistos para jornalistas chineses. O tema ganhou força às vésperas de uma possível visita de Xi Jinping ao país para a cúpula do Brics, em setembro. Desde 2023, quando a Índia negou a renovação do visto do último correspondente chinês no país, os dois lados passaram a restringir reciprocamente a presença de jornalistas. Pequim tem tratado a questão como passo fundamental para a normalização plena dos laços com a nação vizinha.
★ A Justiça dos EUA condenou o bilionário chinês exilado Guo Wengui a 30 anos de prisão por fraude financeira. Segundo a promotoria, ele arrecadou mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões na cotação atual) de 2018 a 2023 ao convencer milhares de apoiadores a investir em negócios fraudulentos, usando os recursos para financiar um estilo de vida luxuoso. Guo deixou a China há cerca de uma década e se tornou um crítico ferrenho do Partido Comunista Chinês. Ele nega as acusações e diz ser alvo de perseguição política de Pequim. A Justiça americana determinou o confisco de US$ 889 milhões (R$ 4,5 bilhões) para ressarcir as vítimas.
fique de olho
A atividade industrial da China voltou a crescer em junho, impulsionada pela forte demanda global por chips, computadores e outros produtos ligados à inteligência artificial.
O índice oficial de gerentes de compras (PMI) subiu para 50,3, acima da linha que separa expansão de contração, enquanto exportadores aceleraram embarques aos EUA antes da entrada em vigor de novas tarifas americanas.
O resultado reforça a importância do setor manufatureiro de alta tecnologia para a segunda maior economia do mundo, num momento em que a crise imobiliária e o consumo doméstico seguem pressionando o crescimento.
- As encomendas para exportação voltaram a crescer pela primeira vez em meses, enquanto a produção industrial também acelerou;
- Já os preços nas fábricas voltaram a cair, e o emprego industrial continuou encolhendo;
- Analistas veem um sinal de que a recuperação permanece concentrada em poucos setores, principalmente nos ligados à IA.
Pequim mantém a meta de crescimento de 4,5% a 5% neste ano, e economistas esperam novos estímulos fiscais e monetários nos próximos meses para sustentar a atividade.
Por que importa: O dado mostra que a estratégia chinesa de apostar em manufatura avançada e inteligência artificial começa a compensar parte da fraqueza da economia doméstica em outros frontes. Em vez de depender do mercado imobiliário, Pequim tem buscado fazer das exportações de produtos de maior valor agregado seu principal motor de crescimento.
Isso pode beneficiar economias emergentes como o Brasil. Ao menos no curto prazo, uma indústria chinesa mais aquecida tende a sustentar a demanda por commodities usadas na cadeia de tecnologia e na infraestrutura, beneficiando exportadores brasileiros.
para ir a fundo
O Centro Dao de Cultura Oriental em Santo André (SP) realiza no domingo um seminário de Duan Bing, espécie de esgrima chinesa. Interessados em participar devem entrar em contato pelo WhatsApp no número (11) 99932-4504.
O Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro recebe até 11 de outubro a exposição “Sabores da Tradição: História da Alimentação na China Antiga”. São 125 obras e artefatos originais do acervo do Museu Nacional da China, disponibilizados dentro da agenda do Ano Cultural Brasil-China 2026. A visitação acontece de quarta a domingo, das 10h às 17h (último acesso às 17h e encerramento às 18h) no centro do Rio.




