Entre escombros, hospitais lotados e comunicações interrompidas, milhares de venezuelanos iniciaram buscas angustiantes por parentes desaparecidos após os terremotos que provocaram mortes e destruição em todo o país na quarta (24). Nas redes sociais, multiplicam-se relatos dramáticos de pessoas que perderam contato com familiares e que anseiam por algum tipo de informação.
É o caso do jogador argentino Lucas Trejo, do Marítimo, equipe da segunda divisão venezuelana. Em uma publicação no Instagram, ele relatou ter perdido contato com a esposa e com os dois filhos, moradores de La Guaira, o estado mais impactado pelos sismos.
“Nosso prédio em Playa Grande desabou. Não tenho notícias da minha família. Por favor, orem por eles e compartilhem esta mensagem caso alguém os tenha visto. Quero acreditar que eles não estavam lá. Por favor, orem pela minha família”, escreveu Trejo, em mensagem acompanhada de uma foto em que aparece ao lado dos familiares.
Também atleta, o jogador de beisebol Gorkys Hernandez publicou em suas redes um pedido de ajuda para encontrar a esposa, considerada desaparecida. Segundo a publicação, Deisy Tovar, 38, estava hospedada em um hotel chamado Eduard´s, que desabou. “Por favor, ajudem-nos a encontrá-la. Minha família e eu pedimos isso do fundo do coração”, diz trecho da publicação.
Quase 24 horas depois dos terremotos, o regime venezuelano ainda não havia divulgado nenhuma ferramenta oficial para contabilizar desaparecidos. A Folha encontrou dois sites onde a maioria dos pedidos de ajuda estão sendo feitos: o Venezuela Te Busca e o Desaparecidos Terremoto Venezuela, criados pela sociedade civil para concentrar as informações sobre as vítimas dos sismos.
Nas plataformas, qualquer pessoa pode enviar informações sobre os desaparecidos, como idade, nome e onde estavam antes dos terremotos, além de contatos para receber respostas. As duas ferramentas já somam milhares de vítimas desaparecidas do abalo sísmico —e grande parte das pessoas que estão sendo procuradas ainda não foram encontradas.
Em La Guaira, onde quarteirões inteiros foram devastados, moradores tentavam, por conta própria, localizar familiares desaparecidos, gritando seus nomes entre os escombros. Socorristas relataram à imprensa local que a ajuda federal ainda não havia chegado à região.
“Foi terrível. Tudo, tudo desabou”, disse Yilsmaris Blanco à agência de notícias AFP. “Damos graças a Deus porque estamos vivos, mas há pessoas que estão sofrendo com seus familiares soterrados, presos sob os escombros, sem conseguir retirá-los.”
“Minha casa desabou completamente. Perdi familiares, minha sogra morreu e minha filha está desaparecida, não consigo encontrá-la”, afirmou, por sua vez, Jean Alexander Capote, 48, diante de um edifício de mais de 15 andares que perdeu várias paredes durante os tremores. “O que aconteceu é muito grave, queremos ajuda o mais rápido possível.”
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 provocaram a morte de ao menos 188 pessoas, segundo as autoridades venezuelanas. “Agora não temos nada”, diz Larry Rojas, 49, e um dos milhares de moradores impactados em uma área de Catia La Mar, em La Guaira.




