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Eleição na Colômbia: Espriella não nos assusta, diz Cepeda – 22/06/2026 – Mundo

O candidato derrotado nas eleições da Colômbia, Iván Cepeda, afirmou nesta segunda-feira (22) que o país já venceu muitos governos autoritários e que seu adversário e presidente eleito, Abelardo de la Espriella, não os assusta.

As declarações foram uma resposta ao discurso da vitória de Espriella na véspera, no qual o ultradireitista empregou a usual retórica agressiva que o consagrou no segundo turno deste domingo (21).

Em Barranquilla, o advogado pediu que Cepeda e seu padrinho político, o presidente Gustavo Petro, “abstenham-se de provocar um incêndio social”, porque “não haverá um terceiro turno nas ruas”. “Preparem suas malas para fazer a oposição”, afirmou a milhares de apoiadores que se reuniram para ouvir o agora presidente eleito.

“Não sei para que [eu faria as malas]. Nós não vamos embora daqui”, disse Cepeda na sede de seu partido, o Pacto Histórico, em Bogotá. “Somos um movimento político muito grande. De acordo com os resultados de ontem, representamos metade deste país politicamente. Derrotamos muitos governos autoritários e muitos políticos violentos. Portanto, não venham nos ameaçar.”

Cepeda se referia ao momento em que Espriella disse que “o tigre pode morder ainda mais forte do que mordeu nas urnas”, referindo-se a si mesmo com o apelido que usou na campanha, em uma clara inspiração no leão do presidente argentino, Javier Milei.

“Não nos assustamos com seus rugidos ou seus gritos. Pelo contrário, ontem, em meu discurso, fiz uma oferta clara para buscar, seja qual for o cenário da contagem de votos e dos resultados, um acordo e um diálogo em nível nacional”, afirmou Cepeda.

O senador trata a apuração inicial como um resultado provisório. Embora a primeira contagem de fato não tenha força jurídica —o resultado oficial, após a revisão de possíveis inconsistências, deve sair até o fim da semana—, os candidatos normalmente a aceitam devido ao seu grau de credibilidade.

Ele justifica esse posicionamento com a proximidade entre os dois candidatos na apuração. “A diferença foi inferior a 1% e está entre as mais estreitas, se não for a mais estreita, em um segundo turno presidencial”, afirmou ele no pronunciamento desta segunda. A campanha apresentou 57.189 reclamações, de acordo com o candidato.

A Colômbia realmente nunca teve uma votação tão apertada em uma corrida para presidente. Até este domingo, a mais disputada havia sido em 1994, quando Ernesto Samper venceu Andrés Pastrana por 2,1 pontos percentuais. Caso a contagem oficial confirme a preliminar, a diferença entre Espriella e Cepeda não chegará a um ponto percentual.

Trata-se também da primeira vez que um candidato não consegue mais de 50% dos votos válidos em um segundo turno —na Colômbia, os votos em branco, que representaram 1,63% no pleito de domingo, também são considerados. Ao contrário do primeiro turno, porém, no segundo turno o candidato não precisa de 50% mais um voto para ganhar, e sim de mais eleitores do que seu adversário.

No entanto, as últimas eleições não deixam muitas esperanças para o esquerdista. Normalmente, a diferença entre a apuração inicial e final fica longe de um ponto percentual —a maior discrepância em segundos turnos recentemente foi de 0,13 em 2010. No primeiro turno deste ano, a diferença foi de 0,04.

De qualquer forma, o político afirma que, uma vez que saiam os resultados finais, sua chapa reconhecerá o veredito. “Após o resultado desse escrutínio, quando todas as alegações que fizemos tenham sido verificadas e todas as dúvidas que possamos ter tenham sido resolvidas, anunciaremos, como acontece numa democracia, o nosso reconhecimento do resultado”, afirmou.

As alegações, no entanto, especialmente as que vêm de Petro, têm deixado a situação no país mais tensa. Na noite de domingo, o presidente voltou a falar de irregularidades sem apresentar provas e convocou advogados, que têm a prerrogativa de assistir à contagem, a “acompanhar os escrutínios em toda a Colômbia”.

O chamado fez dezenas de pessoas se reunirem em frente a locais de votação, como o centro de convenções Corferias, em Bogotá, para protestar e tentar entrar no prédio —o que foi permitido só aos advogados presentes.

Nesta segunda, ele aumentou o tom afirmando que “a manipulação eleitoral já está comprovada”. “Não posso afirmar que o que foi descoberto garanta a vitória eleitoral, mas é um fato”, escreveu.

Protestos foram registrados em diversas partes do país neste domingo, alguns com confrontos com a polícia, caso de Cali, a terceira cidade mais populosa da Colômbia.

Diante desse cenário, Cepeda tentou acalmar os ânimos nesta segunda. “Quero fazer um apelo cordial à serenidade e à calma, e que quaisquer manifestações públicas a favor ou contra qualquer circunstância específica se limitem estritamente à mobilização pacífica, caso tais mobilizações ocorram, o que nenhuma das partes está solicitando”, afirmou.

Fonte: Folha de São Paulo

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