O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (16) que tem uma ótima relação com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, mas que seu aliado precisa agir com mais responsabilidade em relação ao Líbano.
Tel Aviv bombardeou o país vizinho na véspera, um dia após o líder americano anunciar um acordo de paz para encerrar o conflito no Oriente Médio. Trump, dando declarações durante a cúpula do G7, na França, revelou que sugeriu a Netanyahu que “deixe a Síria cuidar do Hezbollah”
Segundo o líder americano, Israel “está lutando contra o Hezbollah há tempo demais” e “muitas pessoas morreram”. “Eu sugeri a Israel que deixe a Síria cuidar do Hezbollah e, sinceramente, acredito que eles farão isso melhor”, acrescentou Trump.
O Líbano foi arrastado para a guerra quando o Hezbollah, grupo extremista aliado de Teerã, atacou Israel em apoio ao Irã. Tel Aviv lançou uma ofensiva contra o país vizinho e passou a ocupar o sul libanês, deslocando ao menos um milhão de pessoas.
Mesmo após o acordo, Netanyahu insiste que manterá suas tropas por tempo indeterminado nas áreas ocupadas. Teerã dá outra versão e diz que o pacto prevê a suspensão dos ataques e a retirada das tropas israelenses.
EUA e Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra e se preparam para assiná-lo na sexta-feira (19), na Suíça. No entanto, muitas questões relacionadas ao Líbano continuam pendentes, incluindo o desarmamento do Hezbollah, objetivo defendido por Washington e Israel.
Há anos, o governo Netanyahu promete destruir o grupo, sem sucesso, enquanto o Irã mantém seu apoio. Trump sugeriu que a Síria e seu líder interino, Ahmed al Sharaa, um ex-jihadista sunita, assumam a tarefa de enfrentar o Hezbollah.
O republicano, que recebeu Al Sharaa na Casa Branca em novembro, afirmou que ele vem fazendo um “trabalho fantástico” desde que derrubou, no fim de 2024, o ditador Bashar al-Assad, um aliado do Hezbollah.
“Se Israel não consegue fazer o trabalho [contra o Hezbollah] sem matar todo mundo, então ele [Al Sharaa] fará o trabalho. A Síria fará o trabalho”, enfatizou Trump.
Trump já havia declarado em uma entrevista à NBC, em 7 de junho, que o presidente sírio estava disposto a ajudar a enfraquecer o Hezbollah. Segundo membros da chancelaria, a Síria vem sofrendo pressões nesse sentido desde o início do atual conflito.
O ex-presidente sírio Hafez al-Assad, pai de Bashar al-Assad, interveio no Líbano durante a guerra civil em 1976. As tropas sírias permaneceram no país por cerca de trinta anos, até serem obrigadas a se retirar em 2005.
Após conseguir um acordo no Oriente Médio, Trump parece ter chegado à cúpula com foco renovado em pôr fim à guerra na Ucrânia. Ele afirmou que a Rússia deveria fechar um acordo de paz, acrescentando que fará tudo o que puder para encerrar o conflito.
As declarações foram dadas após uma reunião que descreveu como “muito boa” com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e líderes do G7. O encontro ocorreu durante uma sessão fechada, e Trump informou que se reuniria posteriormente com o líder ucraniano em um encontro bilateral.
“Vou fazer tudo o que puder”, disse Trump.
Zelenski publicou uma imagem do encontro, em que aparece sentado ao lado de Trump e do chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio. “O foco principal é fortalecer a defesa aérea da Ucrânia e avançar na diplomacia para fazer a Rússia encerrar sua guerra”, escreveu o ucraniano.
Diplomatas europeus afirmaram que o tom da reunião foi construtivo.
A chancelaria da UE espera convencer Trump de que posições anteriores dos EUA sobre possíveis termos de um acordo eram excessivamente favoráveis a Moscou, especialmente agora que as incursões de drones ucranianos em território russo melhoraram a posição de Kiev.
“A maré está virando a favor da Ucrânia. A situação em 2026 é muito diferente da de 2025. A Ucrânia está defendendo bravamente a linha de frente”, publicou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no X. “O desgaste da Rússia está cada vez mais evidente. Este é o momento de reforçarmos nosso apoio.”
Zelenski busca renovar o impulso diplomático e ampliar o papel da Europa. Na segunda-feira, ele afirmou ter oferecido um encontro com Vladimir Putin durante a cúpula do G7. O líder tem rejeitado repetidamente a ideia de negociações diretas com Zelenski, a menos que ocorram em Moscou.




