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Copa do Mundo: setor hoteleiro dos EUA está fraco – 10/06/2026 – Lúcia Guimarães

Uma breve pausa na onda de calor em Nova York permitiu o cenário ideal para a entrevista coletiva na ensolarada manhã de segunda-feira (8), no Central Park, em Manhattan.

A governadora Kathy Hochul e o prefeito Zohran Mamdani projetavam otimismo ao anunciar que o gramado do parque vai receber 50 mil pessoas numa “watch party”, um evento para assistir à final da Copa do Mundo, no dia 19 de julho. Hochul garantiu que Nova York vai ser hospitaleira para mais de 1 milhão de visitantes que espera, a partir desta semana.

O prefeito aproveitou para dar uma espetada nos membros da Fifa presentes e destacou que a entrada vai ser gratuita, ao contrário, lembrou, de tantos eventos esportivos fora do alcance da maioria dos torcedores.

Há meses, no entanto, as expectativas de benefício econômico do campeonato que a maioria dos americanos ignora começaram a murchar. Ninguém mais duvida de que a Fifa, sob o über malandro Gianni Infantino, fez previsões com a sinceridade de quem tenta vender gelo para esquimós.

Quando Estados Unidos, Canadá e México foram designados anfitriões, em junho de 2018, o cenário era outro.

O presidente americano não estava ameaçando incorporar o imenso Canadá como o 51º estado e não havia agentes da CIA fazendo incursões em território mexicano. Acima de tudo, não se previa a guerra comercial iniciada por Trump, em 2025, que alterou o humor global com os EUA.

Se há um previsível time perdedor, antes da primeira partida, é o setor de hotelaria americano. A Fifa estimou que a região de Nova York, vizinha ao estádio MetLife, onde o Brasil estreia, no sábado (13), iria arrecadar US$ 3 bilhões com a Copa. Há um mês, apenas 25% dos quartos de hotel dessa área haviam sido reservados para as seis semanas do campeonato e, nesta semana, a porcentagem continua anêmica, em um terço.

Vale lembrar que os hotéis de Nova York foram beneficiados, em 2022, por uma lei municipal que praticamente eliminou a concorrência do Airbnb, restringindo as ofertas de hospedagem por menos de 30 dias seguidos.

Alguns economistas já preveem que Nova York vai terminar com um prejuízo na gerência da Copa, em parte por causa dos altos custos com segurança. A cidade já tem enorme visibilidade e recebe dezenas de milhões de turistas anualmente, sem qualquer evento especial.

Hotéis do México e do Canadá estão registrando maior taxa de ocupação do que quase todas as 16 cidades americanas que vão sediar 104 jogos. O que não surpreende, diante da complicação de novas restrições a vistos de entrada nos EUA e dos temores à agressividade das medidas anti-imigração, que foram tristemente confirmados nesta semana.

Países anfitriões de eventos globais de esporte costumam tentar distrair atenção negativa.

Vladimir Putin esperou os jogos Olímpicos de Sochi serem encerrados e, três dias depois, invadiu a Crimeia. O opressivo Qatar montou uma feroz ofensiva de relações públicas para aplacar a indignação internacional com os abusos de direitos humanos dos imigrantes que construíram as instalações da Copa de 2022.

Às vésperas de celebrar os 250 anos da república, os donos do poder federal nos EUA parecem não se importar em fazer os torcedores mundiais se sentirem bem-vindos.


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Fonte: Folha de São Paulo

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