O governo dos Estados Unidos quer indiciar o ex-líder cubano Raúl Castro, 94, em meio à crescente pressão de Washington sobre o regime comunista da ilha, informou a imprensa americana.
O canal CBS News, que citou funcionários do governo americano que acompanham o tema, informou que a possível acusação se concentraria na derrubada, em 1996, de dois aviões civis pilotados por opositores ao regime castrista.
O portal Bloomberg afirmou que, junto de Raúl Castro, o governo Trump estuda indiciar outros nomes do regime cubano. Pessoas ouvidas pelo veículo afirmam que o atual líder, Miguel Díaz-Canel, e famílias do círculo íntimo da liderança do processo revolucionário de 1959 também estariam na mira, por exercer poder dentro do regime.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos não respondeu ao pedido de comentários da agência AFP. Uma acusação contra Castro, irmão do falecido líder cubano Fidel Castro, representaria uma guinada inesperada na crise cada vez mais profunda nas relações entre Estados Unidos e Cuba.
O país sofre constantes cortes de energia elétrica provocados pelo bloqueio de combustível imposto pelo governo de Donald Trump. O presidente americano afirmou em diversas ocasiões que deseja derrubar o regime comunista em Cuba.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, tem origem cubana e construiu sua popularidade no estado da Flórida a partir também de seu discurso anti-Castro e anti-comunista. Rubio é um dos aliados-chave de Trump nesta política contra governos de esquerda.
Raúl Castro, que sucedeu ao irmão como presidente, supervisionou a histórica retomada de relações com os Estados Unidos em 2015, durante o governo de Barack Obama, que Trump revogou durante seu primeiro mandato.
Em plena crise bilateral, o diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou nesta quinta-feira (14) a Havana para uma reunião excepcional com funcionários de alto escalão do regime cubano, segundo autoridades da ilha.
De acordo com comunicado divulgado pelo regime, as conversas tiveram como objetivo contribuir para o diálogo político entre os dois países e para esforços de cooperação diante do cenário atual. A reunião ocorreu no Ministério do Interior cubano.
A ilha tem convivido com apagões de até 20 horas diárias, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão de coleta de lixo e serviços básicos. Em um cenário de caos, protestos eclodiram por toda Havana na quarta (13). Multidões tomaram as ruas em vários bairros periféricos, bloqueando vias com pilhas de lixo em chamas, batendo em panelas e gritando “Acendam as luzes!” e “O povo, unido, nunca será derrotado!”
Embora tenha aumentado a pressão sobre o regime, Trump disse que representantes dos dois países iriam conversar. No início deste ano, porta-vozes já haviam dito que negociações estavam em curso, mas as tratativas pareciam ter estagnado diante da manutenção do bloqueio americano ao fornecimento de combustível à ilha.




