O governo de Taiwan voltou a enfrentar dificuldades para ampliar os gastos militares diante da resistência do Parlamento controlado pela oposição, em um momento de aumento da pressão da China sobre a ilha. O impasse levou os Estados Unidos a criticarem os atrasos na aprovação de recursos para defesa, classificando-os de “concessão feita a Pequim”.
O presidente taiwanês, Lai Ching-te, havia solicitado um aumento de US$ 40 bilhões nos gastos militares com o objetivo de reforçar a capacidade de dissuasão da ilha contra a China, que reivindica Taiwan como parte de seu território e intensificou a pressão militar nos últimos anos.
Para Pequim, a China continental e Taiwan são duas partes de uma só China.
Após sucessivos atrasos promovidos pelos partidos de oposição, que possuem maioria no Legislativo, o Parlamento aprovou na sexta-feira (8) apenas dois terços do valor solicitado. Os recursos liberados serão destinados exclusivamente à compra de armamentos americanos, deixando de fora projetos desenvolvidos internamente, como drones e sistemas de mísseis.
A oposição afirmou apoiar o fortalecimento da defesa, mas disse que não aprovaria “cheques em branco”. Segundo os parlamentares oposicionistas, algumas propostas apresentadas pelo governo eram vagas e poderiam abrir espaço para corrupção.
Em resposta, um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou neste domingo (10) que Washington apoia a aquisição, por Taiwan, de capacidades de defesa consideradas essenciais e compatíveis com as ameaças enfrentadas pela ilha.
Embora tenha considerado positiva a aprovação parcial do orçamento militar, o governo americano criticou os novos atrasos na liberação do restante dos recursos. Segundo o porta-voz, a postergação beneficia o Partido Comunista Chinês.
Os EUA são o principal fornecedor de armas e apoiador internacional de Taiwan, apesar da ausência de relações diplomáticas formais entre os dois governos. Washington também tem defendido repetidamente o aumento dos gastos militares taiwaneses, enquanto Pequim exige o fim da venda de armamentos à ilha.
Em comunicado divulgado na sexta à noite, o Ministério da Defesa de Taiwan afirmou que o orçamento aprovado excluiu completamente determinadas compras militares, o que poderá gerar “lacunas de capacidade” na defesa da ilha.
Segundo o ministério, Taiwan enfrenta um ambiente de ameaça “grave e em constante escalada”.
Entre os projetos excluídos está o míssil antibalístico Chiang Kung, conhecido como “Arco Forte”, que deverá servir como base do novo sistema de defesa aérea T-Dome. O governo afirmou que, sem a aquisição rápida do equipamento, a eficácia do sistema de defesa aérea poderá ser severamente comprometida.
O ministério também alertou que a falta de aprovação de sistemas de drones, incluindo drones de ataque marítimo, atrasará de forma significativa o desenvolvimento das capacidades de guerra assimétrica do país. Além do impacto militar, a pasta afirmou que a decisão poderá afetar o crescimento econômico e a geração de empregos na indústria nacional de defesa.




