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ONU pede libertação de Thiago Ávila e ativista palestino – 06/05/2026 – Mundo

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quarta-feira (6) a libertação imediata de dois ativistas, o espanhol-palestino Saif Abu Keshek e o brasileiro Thiago Ávila, que faziam parte de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza e estão presos em Israel.

Na terça-feira (5), um tribunal israelense decidiu prorrogar até domingo (10) a prisão preventiva. O grupo israelense de direitos humanos Adalah, que representa os ativistas, ingressou com recurso, que foi rejeitado nesta quarta.

“Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza, que precisa urgentemente”, afirmou o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, em comunicado.

A Adalah afirmou que a prisão é ilegal e que os dois foram vítimas de maus-tratos. Segundo a ONG, eles foram submetidos a “interrogatórios de até oito horas”, foram mantidos em celas permanentemente iluminadas e obrigados a ir de um lugar para outro com os olhos vendados, inclusive durante visitas médicas. Tel Aviv nega as acusações.

Diante das denúncias, a ONU pediu que a situação seja investigada. Na noite de terça, a mãe de Ávila, Teresa Regina de Ávila e Silva, morreu aos 63 anos, em Brasília. A causa da morte não foi divulgada.

Ainda não há informações sobre sepultamento e velório.

Ávila e Keshek compareceram na terça-feira (5) a uma corte em Ashkelon, a 60 km de Tel Aviv. A advogada Hadeel Abu Salih, do grupo israelense de direitos humanos Adalah, que representa os ativistas, afirmou que a detenção foi prorrogada após a polícia solicitar mais tempo para interrogá-los.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão do tribunal na terça e pediu a libertação dos dois ativistas em uma publicação nas redes sociais. “Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha ‘Global Sumud’, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”, escreveu.

Documentos judiciais mostram que Israel acusa os ativistas de crimes como filiação a uma organização terrorista e assistência ao terrorismo durante período de guerra. Os dois negam . As penas podem chegar a 20 anos de prisão.

A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, partiu de França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar suprimentos ao território palestino devastado. As forças israelenses os interceptaram em águas internacionais, na costa da Grécia, na madrugada de quinta (30).

Abu Keshek e Ávila foram detidos junto de outros 175 ativistas, de múltiplas nacionalidades, que foram libertados na Grécia. Os dois, no entanto, foram levados a Israel. Antes da extensão da prisão, o Itamaraty divulgou nota conjunta com o governo espanhol condenando o que classificou de “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel”.

Fonte: Folha de São Paulo

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