O fotojornalista palestino Saher Alghorra, colaborador do jornal americano The New York Times, venceu na segunda-feira (4) o prêmio Pulitzer na categoria “Fotografia Breaking News”.
O prêmio foi concedido por uma série de imagens que retratam a destruição e a fome na Faixa de Gaza, decorrentes da guerra com Israel, iniciada em outubro de 2023. A láurea é concedida anualmente pela Universidade Columbia, em Nova York, desde 1917.
O júri do Pulitzer descreveu o trabalho como “comovente e sensível”. A diretora do prêmio, Marjorie Miller, destacou a importância do jornalismo independente diante das crescentes restrições de acesso e pressões políticas sobre a imprensa.
Entre as fotografias premiadas, foi ressaltado o registro de Yazan Abu al-Foul, de 2 anos, nos braços da mãe, Naeema, em julho de 2025. A família não conseguia comida suficiente para alimentar a criança, e os hospitais não tinham insumos para interná-la.
“O que me chocou ao tirar esta foto foi que, antes de tirá-la, eu havia tentado brincar com ele para que se sentisse mais à vontade. Encontrei a criança como se não tivesse alma. Seus olhos estavam fixos, mal conseguindo se abrir. Tirar esta foto me despedaçou”, disse Alghorra.
Outra imagem premiada mostra centenas de palestinos correndo em direção a comboios de caminhões de ajuda humanitária em Khan Yunis, no sul de Gaza, dias após o início do cessar-fogo de outubro de 2025 — quando a população ainda enfrentava fome severa.
O registro de uma criança ferida sendo transferida para um hospital na Cidade de Gaza, em 2025, também compõe a cobertura premiada. O episódio ocorreu após o ataque de uma aeronave de reconhecimento israelense ao bairro de Al-Thalathini.
Saher Alghorra é nascido e criado em Gaza. Ele adquiriu sua primeira câmera em 2017 e começou a documentar o cotidiano dos palestinos. Seu portfólio vencedor registra desde famílias deslocadas cruzando postos de controle e sepultamentos improvisados até médicos carregando crianças feridas e multidões correndo em direção a caminhões de ajuda.
Seu trabalho também recebeu o primeiro lugar na categoria de fotografia de guerra no Prix Bayeux Calvados-Normandie (Prêmio Bayeux Calvados-Normandia), na França, pelo ensaio intitulado “Trapped in Gaza: Between Fire and Famine” (presos em Gaza: entre o fogo e a fome).
O New York Times ganhou outros dois Pulitzer nesta edição: o de reportagem investigativa, por revelar como Donald Trump e seu círculo lucram com negociações ligadas à segurança nacional, e de opinião, com colunas de M. Gessen sobre a ascensão do autoritarismo.
Outros veículos e jornalistas também foram reconhecidos em diferentes categorias. Na reportagem internacional, a equipe da agência Associated Press venceu com uma investigação global sobre ferramentas de vigilância em massa.
Já a Reuters se destacou em mais de uma frente, levando prêmios tanto em reportagem de cobertura especializada (com revelações sobre a Meta) quanto em cobertura nacional, ao expor o uso do poder político para ampliar a influência do governo Trump.
O Washington Post também apareceu entre os vencedores, premiado por revelar os bastidores e impactos da reforma das agências federais nos Estados Unidos.




