Um tribunal israelense estendeu até domingo (10) a detenção de dois ativistas, o espanhol-palestino Saif Abu Keshek e o brasileiro Thiago Ávila, que faziam parte de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza. Israel os acusa de ligações com uma organização sancionada pelos Estados Unidos, informou uma ONG à agência de notícias AFP.
Eles compareceram nesta terça-feira (5), pela segunda vez, a uma corte em Ashkelon, a 60 km de Tel Aviv. “O tribunal aprovou a detenção deles até a manhã de domingo”, declarou à AFP Miriam Azem, coordenadora da organização israelense Adalah.
No domingo anterior (3), Ávila e Keshek já haviam se apresentado ao tribunal que, naquela ocasião, autorizou a prorrogação por dois dias da prisão preventiva deles.
A Adalah, uma organização de direitos humanos e serviços jurídicos para a minoria árabe em Israel, afirmou que os dois foram submetidos a “interrogatórios de até oito horas”, que foram instalados em celas permanentemente iluminadas e obrigados a ir de um lugar para outro com os olhos vendados, inclusive durante visitas médicas. O governo israelense negou as acusações de maus-tratos.
A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, partiu da França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar suprimentos ao devastado território palestino. As forças israelenses os interceptaram em águas internacionais, na costa da Grécia, na madrugada de quinta (30).
Segundo o Estado judeu, cerca de 175 ativistas foram detidos.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusa os dois ativistas de terem ligações com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sancionada pelo Departamento do Tesouro dos EUA. Washington acusa a PCPA de “agir clandestinamente em nome” do grupo terrorista Hamas.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que Abu Keshek é um membro proeminente da PCPA e que Ávila tem ligações com a organização e é “suspeito de atividades ilegais”.
O Itamaraty divulgou uma nota conjunta com o governo espanhol, antes da extensão da prisão, condenando o que classificou de “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel” e exigindo o retorno imediato de Ávila e de Abu Keshek com garantias de segurança.
“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, afirma a nota.
Os organizadores da flotilha afirmam que a interceptação israelense ocorreu a mais de mil quilômetros de Gaza. Eles a chamam de “armadilha mortal calculada no mar”.
Em 2025, a primeira viagem da Flotilha Global Sumud para Gaza atraiu a atenção mundial. Mas centenas de ativistas, incluindo Greta Thunberg e Thiago Ávila, foram presos no mar, levados para Israel e depois deportados.




