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Tiroteio em jantar de Trump expõe falhas de segurança – 27/04/2026 – Mundo

Autoridades de segurança dos Estados Unidos estão reavaliando as medidas de proteção após um atirador abrir fogo próximo ao jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no sábado (25). O incidente levanta dúvidas sobre como ele conseguiu se aproximar de um evento que contou com a presença do presidente Donald Trump, de integrantes do seu gabinete e de parlamentares.

Dois ex-agentes do Serviço Secreto e três altos funcionários dos EUA disseram à agência de notícias Reuters, no domingo (26), que os agentes federais pareciam ter executado seu plano de proteção ao presidente de forma eficaz no sábado à noite, detendo o suposto atirador antes que ele chegasse ao andar do subsolo do Washington Hilton, onde Trump deveria discursar.

Mas o fato de alguns dos presentes terem conseguido ouvir os disparos contra um agente do Serviço Secreto evidenciou vulnerabilidades, disseram os funcionários, mesmo após dois atentados contra Trump durante a campanha de 2024 já terem motivado medidas mais rigorosas em torno da segurança do presidente.

Procurado, o Serviço Secreto não respondeu a pedidos de comentários feitos pela Reuters.

A lição mais óbvia do incidente, disseram os ex-agentes, é que a equipe da segurança pode precisar ampliar o perímetro de proteção em torno do presidente em grandes eventos, mesmo que isso cause transtornos ao público.

Alguns dos funcionários observaram que o perímetro de segurança nos comícios de Trump costuma ser muito mais amplo do que o que foi estabelecido no sábado à noite.

No jantar, os convidados eram obrigados a passar por magnetômetros, ou detectores de metais, para entrar na sala de banquetes, mas precisavam apenas de um bilhete para entrar no hotel. Várias pessoas tentaram entrar utilizando o bilhete do ano anterior, segundo uma pessoa com conhecimento direto do planejamento do evento.

Ampliar o perímetro

Bill Gage, que serviu na equipe de Contra-Assalto do Serviço Secreto por seis anos e é atualmente diretor de proteção executiva do SafeHaven Security Group, afirmou que as revisões pós-incidente provavelmente incidirão, pelo menos em parte, sobre o deslocamento dos detectores de metal para ampliar o perímetro externo.

O Serviço Secreto, disse Gage, “vai ter de encontrar uma forma de proteger melhor os grandes hotéis, o que pode causar transtornos aos hóspedes e ao próprio hotel.”

Ele também afirmou que o Serviço Secreto precisaria coordenar melhor a retirada dos demais membros do governo.

Vários órgãos de segurança retiraram os presentes após o tiroteio, evidenciando como a complexa rede de responsáveis pela proteção de diferentes VIPs pode levar a respostas aparentemente descoordenadas.

Embora Trump tenha sido retirado do palco pouco mais de 30 segundos após o último disparo, de acordo com uma análise de vídeo e áudio realizada pela Reuters, levou pelo menos cem segundos para o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., deixar a sala, e cerca de 150 segundos para o secretário de Estado, Marco Rubio, e o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, saírem.

Don Mihalek, ex-agente do Serviço Secreto que já trabalhou em jantares anteriores da associação de correspondentes no Washington Hilton, disse que proteger o vasto espaço sempre representou desafios.

“Tenho a certeza de que o serviço vai voltar a analisar a configuração do local e provavelmente vai alargar ainda mais o perímetro agora, devido ao que aconteceu”, disse Mihalek.

O próprio Trump afirmou numa conferência de imprensa improvisada no final da noite de sábado que o Washington Hilton “não é um edifício particularmente seguro.”

Durante a primeira tentativa de assassinato contra Trump, que ocorreu num comício de campanha em Butler, Pensilvânia, em julho de 2024, as autoridades foram criticadas por não estabelecerem um perímetro de segurança eficaz. Essa falha permitiu que um atirador tivesse uma linha de visão direta sobre o então candidato, que foi atingido de raspão na orelha.

CÂMERAS DE SEGURANÇA

Entre os que criticaram a postura de segurança do evento estava o próprio atirador, que registrou num manifesto escrito, divulgado pela primeira vez pelo New York Post, o quanto a segurança pareceu frouxa.

“Tipo, esperava câmeras de segurança em cada canto, quartos de hotel vigiados, agentes armados a cada três metros, detectores de metais por todo o lado”, escreveu o homem da Califórnia. “O que encontrei (quem sabe, talvez estejam a pregar-me uma peça!) foi nada.”

Influenciadores conservadores e funcionários, incluindo o procurador-geral interino Todd Blanche, recorreram rapidamente ao X para dizer que o incidente mostrava por que Trump deveria avançar com a construção de um salão de festas na Casa Branca.

Um juiz federal ordenou a suspensão da construção do salão no final de março, afirmando que o projeto era ilegal sem aprovação do Congresso, embora um tribunal federal de recurso tenha posteriormente suspendido essa injunção.

Fonte: Folha de São Paulo

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