O FBI teria determinado, no mês passado, uma investigação contra a repórter Elizabeth Williamson, do jornal The New York Times, após a publicação de uma reportagem sobre o diretor da agência, Kash Patel. No texto, a jornalista relatava que Patel teria utilizado funcionários do órgão para oferecer segurança e transporte governamentais à sua namorada, Alexis Wilkins, segundo uma pessoa a par do caso.
Durante a apuração conduzida pelo FBI, agentes chegaram a entrevistar Wilkins, consultar bancos de dados em busca de informações sobre Williamson e recomendaram o avanço das investigações para avaliar se a repórter teria violado leis federais relacionadas à perseguição. As informações são do próprio New York Times.
As medidas, no entanto, teriam gerado desconforto no Departamento de Justiça. Parte dos funcionários teriam interpretado a investigação como uma possível retaliação ao conteúdo da reportagem —que teria desagradado Patel e sua namorada— e concluído que não havia base legal para dar continuidade ao caso.
Ainda de acordo com o New York Times, o FBI foi questionado sobre a investigação, mas negou. A pasta teria afirmado que “embora os investigadores estivessem preocupados com a forma como as técnicas de reportagem agressivas ultrapassaram limites de assédio, o FBI não está conduzindo um caso”.
Patel estaria vivendo um processo de fritura no governo de Donald Trump. A situação, segundo uma reportagem da revista The Atlantic, teria se complicado em decorrência do alto consumo de álcool, que seria uma “fonte recorrente de preocupação em todo o governo”.
A reportagem relata que o abuso de bebida teria levado Patel a remarcar compromissos e atrasar investigações. A publicação se baseia em relatos de autoridades do Departamento de Justiça e do FBI, a polícia federal americana. Ainda segundo o texto, o próprio diretor temia estar em risco de perder o cargo.
A repórter responsável pela investigação, Sarah Fitzpatrick, disse à CNN que, segundo pessoas próximas a Patel, ele próprio já manifestou acreditar que sua demissão deva ocorrer em breve.
“Isso é amplamente discutido a portas fechadas. Funcionários administrativos estão discutindo quem deve ser o próximo diretor do FBI.” Após a publicação, Patel entrou com um processo relacionado à difamação contra a revista The Atlantic em que pede US$ 250 milhões (R$ 1,2 bilhões) e rebateu as acusações.
“Nunca estive alcoolizado no trabalho, e é por isso que entramos com uma ação por difamação de US$ 250 milhões. E qualquer um de vocês que queira participar, venha. Nos vemos no tribunal”, disse Patel aos repórteres. Na mesma entrevista, ele criticou os jornalistas presentes e o trabalho da imprensa.
Pela plataforma X, a revista afirmou que mantém a reportagem sobre o diretor e que vai defender “vigorosamente a The Atlantic e os jornalistas contra este processo sem fundamento”.
A reportagem da The Atlantic motivou críticas de parlamentares democratas. O deputado Jamie Raskin afirmou, na última terça-feira (21), que Patel está a caminho de ser mandado embora. “Esse cara, que o público entendeu há um bom tempo, não é qualificado para o trabalho. E não é nada além de um político que não passa de um bajulador político e um serviçal de Donald Trump”, afirmou ele.
Em documento endereçado a Patel, Raskin e outros 17 parlamentares demonstram preocupação com o suposto abuso de álcool e comportamento errático do diretor do FBI.
No texto, detalham como essas questões teriam prejudicado investigações relacionadas à segurança nacional, incluindo casos de terrorismo e buscas por criminosos perigosos. Como medida de fiscalização, exigem que Patel se submeta, sob juramento, a um teste de triagem para transtornos relacionados ao uso de álcool.
Além disso, o documento solicita a apresentação de questionários de segurança e de comunicações internas, a fim de avaliar se a liderança representa uma vulnerabilidade para o país.
Este não é o primeiro escândalo em que Patel se envolve relacionado ao consumo de bebidas. Em fevereiro, durante a comemoração da vitória do time de hóquei nos Jogos Olímpicos de inverno, um vídeo feito de dentro do vestiário mostra o diretor virando uma garrafa de cerveja.
Patel já esteve na corda bamba em outras ocasiões. O diretor, acusado de promover expurgos a mando de Trump, foi alvo de críticas por ter cometido um erro após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, no ano passado, e por seu posicionamento no caso do financista Jeffrey Epstein, dois temas caros à base trumpista.
Em relação a Kirk, baleado no pescoço durante um debate em uma universidade de Utah, ele disse que o suspeito foi capturado no mesmo dia da morte. O FBI teve que desmenti-lo —na verdade, o suspeito, Tyler Robinson, só foi detido no dia seguinte.
Patel também chegou a dizer que não havia “informações confiáveis” nos arquivos da polícia que indicariam tráfico de mulheres por Jeffrey Epstein, empresário acusado de abuso sexual de menores.
Sob pressão, Patel foi convocado para esclarecer as polêmicas em audiências no Congresso na última semana. Diante dos parlamentares, negou as acusações feitas por senadores democratas de que as demissões de agentes do alto escalão do FBI teriam sido motivadas por razões políticas.




